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Estou a cair pela atmosfera, queimando-me e esfolando-me toda. A verdade é que prefiro ser uma estrela cadente universitária e trabalhadora simultaneamente, do que uma desistente. (falo no meu caso, ninguém é menos que alguém por desistir da faculdade). E do que uma prisioneira do meu próprio destino. Mas será que isto tudo compensa? O stress, as horas a estudar nos intervalos do trabalho, o tempo gasto em leituras não prazerosas e mais obrigatórias que sei lá o quê, os trabalhos todos e as avaliações que me põem a cabeça em papa, as reuniões, as horas a trabalhar em vez de estudar? Sim, claro que vale. Desde que seja realmente o que quero. Sejamos sinceros, também me daria um gozo enorme mostrar o meu diploma a toda a gente que disse que eu não conseguiria, começando por pessoas que deveriam mostrar apoio e dedicação total. E posso esfregar na cara que trabalho num sítio onde normalmente as pessoas trabalham com diplomas e cursos mais avançados.

Durante este semestre, eu pensei em desistir de tudo, primeiro comecei por querer mudar de curso em vez de GLAT (Gestão do Lazer e Animação Turística) ir para IT (Informação Turística), mas descobri que sou GLATIANA com orgulho e este sim é o meu curso. Apesar de não ser a GLATIANA que mais o demonstra, consigo ser uma das que mais sente. Estar na ESHTE, o meu grande amor, é um privilégio enorme que nunca serei capaz de agradecer o suficiente.



Mas por muito que possa sublinhar certas coisas, umas boas e outras menos boas, existem outras que me fatigam o suficiente para um mental breakdown. Como já devem (ou não) ter percebido eu sou trabalhadora-estudante, coisa que para certas pessoas seria impossível de acreditar, mas sim é verdade. Trabalho de manhã, faço algo que amo, ou fazia até chegar esta nova “normalidade”. Era ligado com o meu curso, envolvia turismo e animação. E estudo em horário Pós-Laboral. Na quarentena mudou tudo. O Museu fechou e tive de me habituar a uma rotina de reuniões, tele-trabalho e aulas online. Digamos que não é fácil para ninguém. Apesar de não ter o estatuto, porque como já tinha o de NEE (Necessidades Educativas Especiais) achei que o outro não valia a pena, eu não deixo de ser menos que outro trabalhador estudante. Aliás até acho que nós somos motivo de orgulho, pois balançamos coisas que por si só são difíceis e exaustivas. Mas como lidei com isso? Pois… nessa parte não sei bem o que dizer. Eu mudei totalmente, até arranjei três agendas porque achava que uma não era o suficiente.

A minha rotina era a minha melhor amiga, não têm noção. Eu adorava reclamar por ter de levantar cedo, mas chegar ao trabalho dava-me uma sensação de conquista e mesmo depois de um dia cansativo eu ia para a faculdade com um sorriso de uma ponta a outra, a verdade é que reclamava o tempo todo, mas que me fazia feliz, ui e tanto.

Só sei que a minha vida deu uma volta completa e tudo o que mais me assustava passou a ser a minha realidade, rotina quebrada, coisas inesperadas sempre a acontecerem, o trabalho misturado com as aulas sem ser no horário normal… tudo isto é um pesadelo, mas que me mudou por completo. Comecei a perceber que eu consigo adaptar-me a novas mudanças, que o trabalho e a faculdade são um motivo de orgulho (por muito exaustivos que sejam) e não de tristeza. Em breve voltarei a trabalhar presencialmente, com um horário diferente, tendo de me ajustar novamente a uma nova rotina, misturando as aulas e os exames que estão para vir e tendo em conta que vou a exame a 3 das cadeiras mais difíceis do meu curso, vai exigir muito esforço da minha parte.  Mas eu tentarei fazer o meu melhor, fazendo o máximo de coisas possíveis. Sei que se fizer demasiado ao mesmo tempo chegarei a um breaking point. Mesmo assim farei o que posso, com a maior dedicação que tenho disponível dentro de mim. A verdade é que eu já tinha mudado quando entrei para a faculdade e comecei a trabalhar ao mesmo tempo, mas consegui lidar melhor com o stress em tempos de calamidade, do que quando estava a ter aulas presencialmente e quando o meu local de trabalho ainda funcionava como de antes. Embora considere estar em casa pior para a minha ansiedade e o meu desempenho escolar e profissional. As aulas online muitas vezes provocam mais desconcentração e põem mais dúvidas na minha cabecinha pensadora. E o trabalho vai-se misturando com a faculdade tornando tudo num bicho de sete cabeças. Mas mesmo tendo isso em conta, eu tento melhorar todos os dias, penso para mim mesma que sou capaz e que conseguirei.

Antes destes tempos novos nas nossas vidas, eu vou dizer a verdade, que acho que toda a gente sabia, eu procrastinava bastante. fazia tudo ao último momento, mas por estranho que pareça, talvez pelo facto de ter muito mais trabalho assim do que no passado, eu organizei-me melhor e comecei a tentar mudar.

Claro que alturas de mal-estar me afetam e cheguei mesmo em pensar em dizer que não a tudo, pois achava que não era capaz. Até pensei em fugir do país (só estaria a fugir dos meus problemas). “Como é que alguém como eu poderia estar nesta faculdade prestigiada? Porque é que me tinham escolhido? Será que este trabalho será mesmo necessário? Não posso fugir do País com uma nova identidade?” estes pensamentos passavam muitas vezes pela minha mente.

Eu não sou boa aluna, nem a melhor profissional digamos que sou uma pessoa mediana, não me quero desculpar com os problemas que tenho, entre eles PEA , mas que se torna mais difícil com eles é verdade.

Só vos digo mais isto: Eu sou o meu prémio, a licenciatura é o meu objetivo. Acabar a licenciatura e arranjar um trabalho mais facilmente é o meu sonho. Erasmus é um paraíso.

Então eu vou tentar ser o que preciso de ser. Vou tentar por mim, pela minha família, os meus amigos e colegas. Mas principalmente por mim.

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Este texto faz parte de uma série de textos de opinião de alunos do ensino secundário e superior sobre a sua visão do ensino e da educação.

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