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Se tivesse que descrever no meu ponto de vista uma física, diria que é aquela pessoa que anseia acima de tudo compreender e descrever como funciona o Universo.

No momento da escolha para o curso superior, as minhas motivações assentaram no facto da física ser uma ciência objetiva, que descrevia o funcionamento de coisas complexas através da contínua desconstrução de problemas em ideias simples. De facto, a elegância da descrição através de uma linguagem matemática do Universo é um domínio que me fascina e que acredito ser um grande desafio.

No entanto, a física é ainda vista hoje como obscura e indesvendável, o que desmotiva muitos estudantes a perseguirem uma carreira nesta ciência.



Existem algumas questões que potencialmente surgem não só na altura das candidaturas mas que por vezes persistem até serem esclarecidas com prova e experiência.

Muitas vezes se questiona se somos inteligentes o suficiente para ingressar num curso de física. Eu reverto agora a pergunta: a questão não está se és suficientemente inteligente. Porque provavelmente sim. A verdadeira pergunta é se estás disposta/o a motivar-te todos os dias, mesmo quando for difícil e se estás disposta/o a dar tudo. E quando digo dar tudo, não estou a falar de horas de sono nem de tempo das atividades e projectos dos tempos livres, nem de tempo dedicado a socializar. Estou a falar de disciplina e de consistência: de ter espírito crítico em relação a tudo, de questionar, e, acima de tudo, de ter insistência num tópico difícil e que não dominamos. A persistência e a dedicação são a única forma de atingir sucesso.

O método de aprendizagem, como em qualquer curso, depende de indivíduo para indivíduo porque todos pensamos de forma diferente e todos abordamos um problema de maneira única, o que não quer dizer diferentes soluções mas que sim criatividade e imaginação têm um papel crucial. A verdade é que é importante manter um método de estudo organizado e consistente mas, ao mesmo tempo, o que nos distingue como extraordinários (qualquer que seja o curso, não necessariamente em física) é o facto de pensarmos mais criativo do que toda a gente, pelo que contornar as regras e pensar fora da caixa tem um papel bastante ativo na formação enquanto estudantes, característica que é particularmente incentivada no ensino da física.

Outra questão fortemente levantada é se realmente física é a escolha certa e se permite um potencial estilo de vida estável. Não posso garantir se é a escolha certa porque o gosto pela física não nasce com ninguém, é uma construção feita ao longo da vida e cabe a cada um decidir se é importante o suficiente para dedicar-se ao seu estudo. O que posso dizer é que, tal como todas as coisas que gostamos e fazem parte da nossa individualidade, requer investimento diário. O próprio raciocínio de um físico é algo em que temos que consistentemente trabalhar. Podes ponderar se é um bom tipo de ciência para a tua forma de pensar e de encaixar ideias, mas tendo sempre em conta que não podes deixar-te influenciar pela aquela ideia romantizada que a física é toda uma construção acerca de multiversos e viagens no tempo e que não há assim tanta matemática pelo meio. A linguagem da física é a matemática! E todas as conclusões são apenas interpretações das equações que surgem na resolução dos problemas.

Acerca do futuro profissional físicos não têm necessariamente que trabalhar enquanto investigadores ou professores. Existem várias hipóteses como programação e engenharia de software, consultoria, empresas, área de saúde, entre outos.

Acredito ser um curso desafiador mentalmente mas cuja recompensa final se traduz não só num indivíduo com mais conhecimento e capaz de se inserir no mundo profissional, mas também numa grande flexibilidade de raciocínio e com um apetite de conhecimento e curiosidade eternos.

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Este texto faz parte de uma série de textos de opinião de alunos do ensino secundário e superior sobre a sua visão do ensino e da educação.

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