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A entrada no ensino superior é, para muitos jovens, o concretizar de um objetivo há muito desejado. Falamos de uma transição para uma nova etapa de vida que permite a elaboração de um projeto vocacional, mas também ele muito pessoal. Os primeiros passos neste mundo universitário são dados com um misto de alegria, expectativas e sonhos, a par de uma ansiedade normativa e de um conjunto de dúvidas se este será “o caminho certo”; e se este processo de adaptação inicial é, por si só, desafiante, o acréscimo de uma pandemia que remete para um cenário de profunda incerteza, coloca esta transição para o ensino superior duplamente desafiante.

O distanciamento social exigido a todos nós poderá dificultar os processos de integração necessários e esperados nesta transição, pois não podemos esquecer que muitos assistem ao seu grupo de pares, construído até então, também ele seguindo trajetórias distintas. A aproximação ao outro revela-se fundamental para a partilha e encontro de identidades, permitindo ao jovem universitário definir novos grupos e encontrar um sentido de pertença no novo contexto universitário. A suspensão das atividades de praxe típicas desta receção aos novos estudantes (se baseadas, naturalmente, no respeito pela integridade pessoal), remetem para perdas importantes neste processo de integração; a perda da “magia universitária”, de tradições que caraterizam esta identidade estudantil.



O distanciamento social necessário pode ainda potenciar quadros de ansiedade prévios, sentimentos de insegurança pessoal e comportamentos sedentários, sobretudo para muitos estudantes deslocados e que se encontram longe das suas famílias, vendo-se também obrigados a diminuir as suas deslocações a casa. Neste espectro de ansiedade, está ainda a necessidade de adaptação e confronto com novos métodos de estudo e de avaliação. Embora se assuma que os jovens estão bem familiarizados com as novas tecnologias, a verdade é que colocar o ensino atualmente numa base excessivamente digital poderá afetar os processos de aprendizagem, que  beneficiam do espaço público de sala de aula, onde as reflexões e a estimulação do pensamento crítico são beneficiados neste espaço in vivo.

Embora falamos da “primeira viagem”, não podem esquecer os jovens finalistas; os que se confrontam com a incerteza do futuro, com a necessidade de elaborar escolhas mais firmes e dar respostas a questões como “e a partir daqui?”. A pandemia COVID-19 veio perturbar algumas oportunidades de realização de estágios curriculares e/ou profissionalizantes, experiências que se revelam fundamentais na preparação do jovem adulto para o mundo do trabalho, representando, deste modo, mais uma perda significativa. Ainda, a chegada ao último ano do curso reveste-se de profundos simbolismos; novamente, não podemos pôr de parte os rituais académicos, como a tão ilustre queima das fitas, naturalmente adiada; o colocar da tão orgulhosa cartola, o reconhecimento público do esforço e dedicação, que muitos estudantes sonham desde o primeiro dia de faculdade.

Embora os estudantes saibam que estas perdas revestem-se de um bem comum, revela-se fundamental validar as mesmas e reconhecer o impacto da pandemia nas vivências dos estudantes universitários. Acreditar que todas estas experiências aversivas vão dotar os nossos jovens de uma atitude mais resiliente face ao futuro. E como faz parte das belas tradições estudantinas, uma mensagem de esperança a todos vós:

“E para os estudantes, não vai nada, nada, nada? Tudo!”

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Este texto faz parte de uma série de textos de opinião de alunos do ensino secundário e superior sobre a sua visão do ensino e da educação.

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