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O jovem licenciado e a sua temida entrada no mercado de trabalho


Em breve, estarás oficialmente licenciado. Os últimos anos foram de intensa aprendizagem, mas um grande desafio se avizinha – o temido mercado de trabalho. Estarás preparado?

“A quarta revolução industrial” é a expressão utilizada pelo Fórum Económico Mundial 2020 para caracterizar a verdadeira revolução de competências que estamos a atravessar. A constante mudança e atualização tecnológica e digital, aliada à falta de competências a nível mundial, motivaram a criação da Reskilling Revolution1 até 2030.

De acordo com um estudo levado a cabo pela McKinsey & Company e pela CIP, cerca de 1,8 milhões de trabalhadores necessitarão de melhorar as suas competências ou de mudar de emprego nos próximos 11 anos. Esta estatística é perentória no que toca às características do mercado de trabalho do presente e do futuro – repleto de mudança e necessidade de adaptabilidade por parte dos colaboradores.

Não é segredo que o mercado de trabalho está cada vez mais competitivo e que a procura incessante por soft skills2 é crescente. Contudo, em Portugal, estas competências apresentam ainda uma relevância relativamente embrionária ao nível do ensino universitário, começando já a ganhar algum destaque no mercado de trabalho.

Mas porquê o lento desenvolvimento destas competências em território nacional? Um difícil acesso a estágios profissionais, repleto de entraves e obstáculos, para além de currículos escolares e académicos ainda relativamente deficitários no que toca ao desenvolvimento destas competências são alguns dos fatores que condicionam esta evolução. De acordo com Wellington (2005), as competências sociais “precisam de ter maior ênfase nos currículos académicos”, algo que potencia e promove a entrada mais rápida dos recém-licenciados no mercado de trabalho (Glenn, 2008; James & James, 2004; Mitchell et al., 2010; Perreault, 2004; Wilhelm, 2004). Deste modo, um panorama do ensino superior baseado na “promoção da estimulação cognitiva, associada ao raciocínio” (Almeida et al., 2019) necessita de uma reestruturação e consequente alinhamento com o que se está a tornar, a olhos vistos, no novo mercado de trabalho.

Por isso, quando confrontados com este emergente mercado de trabalho, os estudantes tendem a recorrer a atividades extracurriculares, como o voluntariado, as associações de solidariedade social ou as Júnior Empresas, com o intuito de desenvolverem estas competências e, acima de tudo, de se tornarem pessoas mais competitivas na hora do primeiro emprego.

Cabe, assim, a cada um de nós desenvolver as nossas próprias competências a fim de nos tornarmos cada vez mais competitivos e multidisciplinares, sem nunca esquecer a necessidade de mudança e de constante atualização dos nossos conhecimentos e procedimentos.

“We have to move towards a Society of Skills, placing lifelong learning, upskilling and reskilling at the core of people, businesses and governments’ interests.” -Muriel Penicaud, Ministro francês do Trabalho, in The Reskilling Revolution: Better Skills, Better Jobs, Better Education for a Billion People by 2030.

1Iniciativa lançada pelo Fórum Económico Mundial 2020, com o objetivo de providenciar melhores competências e empregos a mil milhões de pessoas em todo o mundo, até 2030.

2Conjunto de qualidades e atributos necessários para ter sucesso a nível profissional, relativas à combinação da eficiência e da eficácia nos ambientes profissionais e à resiliência das atitudes e comportamentos. (Augusto Mateus & Associados, 2017).

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Este texto faz parte de uma série de textos de opinião de alunos do ensino secundário e superior sobre a sua visão do ensino e da educação.

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