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O movimento estudantil precisa de novas bandeiras

Atualmente, o movimento estudantil vive um momento marcado por um contexto adverso, com o aumento do custo de vida dos estudantes, a transformação digital e a crescente exigência de qualificação profissional. As associações e as federações académicas têm a oportunidade de redefinir as suas bandeiras estudantis, sem excluir a defesa de uma academia mais equitativa e justa entre todos os estudantes, seja no custo da propina como na criação de oportunidades. Neste sentido, é necessário procurar novas bandeiras para os estudantes. Proponho três novas bandeiras: a defesa intransigente do elevador social estudantil, a meritocracia académica com a regulamentação da inteligência artificial e a mobilidade estudantil.

A primeira bandeira é um princípio fundamental para as gerações mais jovens. A defesa intransigente do elevador social estudantil é essencial para a existência de uma maior meritocracia. O meio académico não pode ser apenas um lugar de aprendizagem e aquisição de competências, deve ser, acima de tudo, um espaço de mobilidade social, onde um estudante, independentemente do seu agregado familiar, deve partir do mesmo lugar que outro estudante. Apesar de vivermos num país marcado pelas suas desigualdades estruturais no acesso e no sucesso dos estudantes no Ensino Superior, devemos garantir que o talento e a disciplina sejam recompensados, independentemente da sua naturalidade, nacionalidade ou conta bancária. Aqui, o associativismo estudantil deve assumir um papel de promotor na defesa de uma cultura de exigência e combativa da elitização do Ensino Superior.

 

Já a segunda bandeira passa por uma maior regulamentação da inteligência artificial no Ensino Superior. Nos dias de hoje, a IA está a influenciar o método de ensino, de investigação e de aprendizagem isolada dos estudantes. Ignorar os vícios e os maus hábitos é enganar o futuro de uma geração. No entanto, a inteligência artificial deve ser utilizada como uma mera ferramenta de consulta ou de apoio no estudo contínuo dos estudantes, sem comprometer as regras legais da integridade e honestidade intelectual académica. É fundamental o movimento estudantil liderar o debate público sobre o combate à fraude académica devido ao uso irregular da IA e a defesa de uma maior regulamentação da IA nas universidades. O movimento estudantil tem de garantir que a regulamentação da IA é uma bandeira estudantil e representativa do equilíbrio entre a ética estudantil e a preparação dos estudantes para o mundo profissional.

A última bandeira, mas não a menos importante, é a mobilidade estudantil, que é uma causa relevante para a maioria dos jovens, seja um jovem em Lisboa ou em Évora. O aumento do custo do alojamento obriga a que os estudantes tenham de movimentar-se mais vezes e com percursos mais longos entre o alojamento e o campus da universidade. Esta realidade tem impactos diretos no custo de vida dos estudantes e no rendimento escolar, tendo percursos mais longos e, muitas das vezes, a necessidade de apanhar dois a três transportes (autocarro, metro ou comboio) para chegarem a casa ou a tempo de uma aula que começa às 8h30 ou 18h00. As associações e federações académicas devem pressionar e apresentar novas soluções integradas que articulem as políticas de ação social e habitação com a rede de transportes em Lisboa ou noutra região do país. O investimento na mobilidade estudantil ou a criação de novos planos rodoviários, ferroviários ou metropolitanos devem ser soluções de mobilidade partilhada não apenas por questões ambientais, mas, acima de tudo, na defesa de uma mobilidade mais justa e de progresso.

Estas três bandeiras não são independentes entre si. Muito pelo contrário, estão interligadas num sistema de bandeiras do futuro do movimento estudantil nos próximos anos. O Ensino Superior deve valorizar o mérito, integrar todos os estudantes, independentemente da sua região, e defender uma mobilidade estudantil mais justa e sustentável.

 

O associativismo estudantil sempre foi, e continuará a ser, o motor de mudança e pressão na defesa dos interesses dos estudantes. Hoje, os tempos são outros. São mais exigentes e incertos. As estruturas académicas não podem abandonar as suas causas, que foram o motivo do progresso da defesa dos estudantes no Ensino Superior, mas não se devem esquecer de que “mudam-se os tempos, mudam-se as vontades”. Não podemos esquecer-nos de procurar novas soluções e causas para a defesa da comunidade estudantil. O movimento estudantil é o contrato social entre as associações e federações académicas e as suas comunidades estudantis. Sem elas, não há movimento estudantil. Sem os estudantes, não há causa pela qual lutar.

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Este texto faz parte de uma série de textos de opinião de alunos do ensino secundário e superior sobre a sua visão do ensino e da educação.

 

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