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Na maior parte do tempo, enquanto nos estamos a candidatar a um curso do ensino superior e durante a sua passagem, pensamos em muitas coisas que queremos conquistar: os colegas e potenciais amigos a conhecer, o conhecimento da nossa área a reter, as novas atividades a experimentar. Em suma, refletimos sobre o quanto mais felizes e confiantes estaremos depois de todo este processo com duração de alguns anos. No entanto, penso que muitas das vezes nos esquecemos de uma coisa muito importante quando estamos neste contexto universitário: quem somos nós. Ou melhor, pensamo-lo em algumas vertentes restritas, como aquelas referidas acima, sem o esforço de responder a outros pontos igualmente importantes, os quais podem ser traduzidos em questões tais como “qual é o meu papel enquanto estudante universitário?”, “porque é a educação do ensino superior tão importante?”, “quais serão os grandes aspetos que mudarão (n)a minha vida depois destes anos?”. Estes pensamentos são muitas vezes tidos por aqueles que não desejam seguir o ensino superior, pois não veem nele uma oportunidade, ou para os restantes quando terminam o seu curso, como forma de avaliação de todo o caminho seguido.



Ser um estudante universitário é crescer com a escolha de erros e de virtudes; é tornar-se responsável pelo que acontece por si e com o seu trabalho. A ida para a faculdade e a viagem nos anos da licenciatura é das fases mais importantes da vida de uma pessoa, sobretudo de um estudante, porque é quando este pode apreciar e afinar as suas capacidades. Trata-se do momento em que ele reconhece a consistência daquilo que faz e a persistência com que segue os seus sonhos. É o momento em que vê o tempo que dedica às coisas, a importância das pessoas com quem se relaciona, a base da sua personalidade. Ser um estudante universitário é, portanto, dar um espaço a si de reconhecer as suas relações e de repensar certas atitudes. É, em simultâneo, aproveitar os frutos das suas seleções, com base em boas notas, amizades consolidadas e integração em projetos diversos. Tanto cresce, por isso, um aluno que escolhe à primeira o curso do qual fará profissão como aquele que, por incerteza de algum fator, opta por novos cursos após o primeiro. Ambos aprendem a relevância dos percursos firmes e estáveis, a dificuldade que surge muitas vezes em segui-los e a tristeza que causa não os conseguir acompanhar.

Tudo isto se torna importante para entender que muitas vezes nos esquecemos do quanto a educação, o ensino, a cultura e as relações sociais são por nós – estudantes – interpretadas de um modo redutor, apenas com o foco em algumas particularidades. Ser um estudante universitário não é ser o padrão estudantil universitário, mas sim ser, em si e para si, o estudante universitário que se pretende ser; passar, portanto, por convívios e momentos, e adquirir conhecimentos e aprendizagens, que nos preencham. Ser um estudante universitário não é coerente com propósitos e desejos fragmentados, porque este é um papel social e emocional que assumimos por bastante tempo. Consequentemente, ganha importância, na qualidade de estudantes universitários que somos, sermos fiéis connosco mesmos e compreender como, em conjunto com todos os fatores que valorizamos, melhorar quem somos, mudarmos pela nossa felicidade e atingir o cobiçado bem-estar, não no nosso sumário acerca de tudo aquilo que fizemos no curso, mas ainda enquanto o estamos a viver.

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Este texto faz parte de uma série de textos de opinião de alunos do ensino secundário e superior sobre a sua visão do ensino e da educação.

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