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O que transmitir aos jovens sobre a infeção por VIH


Quando entrei na sala de aula de uma turma do 12º ano para palestrar sobre Infeções Sexualmente Transmissíveis (IST), pensei que a minha experiência clínica pouco ia acrescentar ao conhecimento dos jovens sobre a temática. Enganei-me redondamente. O meu papel naqueles minutos como membro da Academia Pensa Positivo teve mais impacto na saúde comunitária do que alguma vez tinha imaginado. As dúvidas que eu tinha sobre a infeção por VIH quando era estudante, há 10 anos atrás, mantinham-se e tinham de ser esclarecidas. Numa época marcada por uma pandemia, em que todos os conteúdos sobre a saúde são tendenciosos, abordar as IST, e mais especificamente o VIH, de forma pragmática e sem tabus, assumiu-se como uma desafiante lufada de ar fresco (e tal foi notório nos rostos dos alunos e dos professores).

Quando debatemos sobre IST, sabemos que são cada vez mais frequentes e constituem um problema de saúde pública global. Segundo a Organização Mundial de Saúde, mais de 1 milhão de novas IST ocorrem a cada dia, com um impacto significativo na saúde dos adolescentes. Relativamente ao VIH/SIDA, em Portugal, em 2020, a taxa de novos diagnósticos mais elevada observou-se no grupo etário entre os 25 e os 29 anos, a grande maioria em homens, sendo o maior número de casos por transmissão por via sexual.

Várias décadas já se passaram desde o primeiro diagnóstico de infeção por VIH em Portugal, na década de 80, e com os progressos científicos, a realidade da doença mudou. A infeção por VIH causa uma doença crónica que, se precocemente diagnosticada e devidamente tratada, tem bom prognóstico e uma esperança média de vida próxima da população em geral, bem como a possibilidade de gerar família, em circunstâncias específicas. O VIH não tem cura ou vacinação disponível, porém é possível inibir a replicação viral através de medicação antirretroviral. Se o vírus não se replicar, é intransmissível (i=i – indetetável é igual a intransmissível). A medicação atual é muito eficaz e muito bem tolerada. Na maioria dos casos, é possível controlar a doença apenas com um comprimido por dia.

Transmitir toda esta informação aos jovens é uma iniciativa importante para a promoção da literacia em saúde. Só com a alteração de comportamentos (como por exemplo, a utilização de preservativo), conseguimos ter um impacto considerável na erradicação do VIH no futuro e atuar na prevenção de outras doenças sexualmente transmissíveis.

A parceria com a Gilead na promoção de saúde comunitária foi desafiante e de uma contribuição avassaladora na saúde dos mais jovens. Sensibilizar as camadas mais jovens sobre medidas preventivas, diagnóstico precoce, esclarecimento sobre o tratamento de IST e encaminhamento para consulta especializada, quando aplicada, são os objetivos da Academia Pensa Positivo. Pretende-se contribuir para a diminuição de novos casos de infeção por VIH, a sua progressão para a fase SIDA e diminuir o estigma relacionado com a doença.

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Artigo escrito pela Dr.ª Maria Lima, Médica Interna de Doenças Infeciosas no Centro Hospitalar de Setúbal, em parceria com a LisbonPH, a Júnior Empresa da Faculdade de Farmácia da Universidade de Lisboa. Enquadra-se na sua campanha de sensibilização para o HIV, em parceria com a Gilead, a Associação Abraço e a Câmara Municipal de Lisboa, que decorreu durante o mês de dezembro. Podes consultar mais informações da campanha neste site.

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Este texto faz parte de uma série de textos de opinião de alunos do ensino secundário e superior sobre a sua visão do ensino e da educação.

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