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Saudações, venho aqui falar-vos do meu testemunho. Para contextualizar, neste momento, tenho 18 anos e estou a estudar no 1º ano do mestrado integrado em medicina, na Faculdade de Medicina da Universidade do Porto.

Então, para começar, vou falar-vos um bocadinho do meu percurso escolar. Sei que isto é muito clichê e que todos os estudantes de medicina dizem o mesmo, mas, de facto, desde muito pequenina que sonhava com este curso. Para mim, aquelas aulas em que se faziam dissecação de órgãos eram simplesmente fascinantes.

Apesar de gostar muito da disciplina de biologia, sempre tirei notas melhores a matemática e a física, que também eram disciplinas que gostava muito. Por esta razão, houve uma altura em que cheguei a pensar no curso de Engenharia Biomédica, pois conciliava áreas que gostava e um plano curricular que me agradava bastante. No entanto, este curso não substitui aquilo que me fascina verdadeiramente, a medicina. Por isso, cheguei à conclusão que este era o curso indicado para mim (e ainda bem que o fiz).



Sempre fui uma boa aula, no entanto, quando cheguei ao secundário, o nível de dificuldade aumentou um bocadinho. Terminei o 10º e o 11º ano com uma média de 17,5, que é excelente, mas para medicina precisava de mais. No 12º, achei que devia optar por uma disciplina que me subisse a média e por outra que tivesse a ver com medicina, por isso, escolhi aplicações informáticas (que realmente ajudou, pois acabei com 20) e biologia. No entanto, em relação a biologia, apesar de estar a gostar, fiquei desiludida quando recebi o primeiro teste: tinha tirado um 17. Por esta razão, decidi mudar para física mais ou menos a meio do 1º período, pois sabia que conseguia tirar melhores notas. Acontece que, passado pouco tempo depois de ter mudado, a professora de biologia veio falar comigo e explicou-me que, em relação ao teste, se tinha enganado na correção e não tinha contabilizado as respostas da primeira página, por isso, na realidade, eu tinha tirado um 19. Eu sei que isto é muito estranho e provavelmente estão a pensar que me arrependi de ter mudado, mas enganam-se porque fiquei contente de escolher física, uma vez que não voltarei a ter contacto com esta área na universidade e consegui acabar com um 20 (algo que, em biologia, provavelmente não iria acontecer).

No que toca aos exames nacionais, no 11º ano, as notas não foram as melhores. No 12º, realizei os exames de matemática, português e decidi repetir o de física e química (mais uma vez, porque consigo tirar melhores notas). Felizmente e graças a muitos meses de estudo intenso, todos me correram muito bem. Acho importante referir isto: por experiência própria e de muitas pessoas com quem contactei, a quem precisar de repetir, não aconselho de todo a realizarem os quatro exames no 12º. Quem opta por fazer os 4, fica muito sobrecarregado e, nalgumas vezes, acaba por não ter as notas que queria em nenhum dos exames. Desta forma, tentem escolher aqueles que precisem mesmo de subir e que acham que serão mais fáceis.

Em relação à universidade, estou a adorar o curso. Na minha faculdade, os professores são deveras acessíveis e estão sempre dispostos a ajudar. Além disso, existe uma relação muito boa entre os colegas e não existe nada um clima competitivo que, às vezes, se ouve falar. Na minha opinião, apesar de ser um ensino exigente, tudo está muito bem organizado, o que acaba por facilitar as coisas. Para o estudo de anatomia, nós temos um teatro anatómico, por isso, todas as aulas de anatomia são realizadas com recurso a cadáveres. Por um lado, isso complica um bocadinho as coisas (pois é mais difícil fazer o estudo com material humano do que com modelos), mas, por outro lado, faz com que fiquemos muito bem preparados. Há quem diga que o nosso ensino é muito tradicional e que existem faculdades que vão para a parte clínica logo nos primeiros anos, no entanto, considero que, para aplicar a prática, primeiro a parte teórica tem de estar muito bem consolidada e, basicamente, este é o princípio desta faculdade de excelência.

Para concluir e não vos chatear mais, quero deixar-vos alguns conselhos: se estiverem indecisos sobre que disciplinas escolher no 12º ano, aconselho-vos a, se precisarem, optarem por disciplinas que vos façam subir a média (não precisam de ter receio, pois, na universidade, os professores abordam a matéria sem considerarem as disciplinas de opção de 12º) e, se já tiverem uma média suficiente, aconselho-vos a escolherem disciplinas que tenham a ver com o curso que pretendem seguir pois, apesar de os professores abordarem a matéria, na universidade o nível de dificuldade aumenta muito e, por isso, se já tiverem contacto com essa matéria anteriormente, torna-se mais fácil (no caso de medicina, as mais aconselhadas são biologia e química). Além disso, também acho pertinente referir que não devem escolher uma faculdade só porque tem maior média que outra, até porque existem vários fatores que influenciam a média como, por exemplo, o número de vagas. Vão aos sites das universidades, vejam os planos curriculares e pesquisem muito para escolherem a faculdade que realmente vos cativa.

Por fim, espero que tenham gostado deste meu testemunho e que, de alguma forma, tenha sido esclarecedor.

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Este texto faz parte de uma série de textos de opinião de alunos do ensino secundário e superior sobre a sua visão do ensino e da educação.

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