Como manda a boa educação, começo por me apresentar, sou “caloiro” e estou na ESDRM no curso de Gestão de Organizações Desportivas. O ambiente escolar, colegas de curso/turma, habitação, colegas de casa, o cozinhar, o limpar, o arrumar, a organização a nível de casa e estudo, a distância do Oceano Atlântico que impõe o afastamento da família e as horas de autocarro para estar com alguém que amo, tudo parecia mais fácil quando me encontrava perto de tudo e todos os que me abraçam com carinho.

Tudo precisa de uma razão de ser, de um objetivo e de uma ambição mas onde iremos buscar motivação quando o máximo que nos é proporcionado é um face-time e uma lágrima de saudade que sempre nos baila no canto do olho.

É preciso ter força de vontade e de integração no meio que me acolherá durante esta fase da minha vida, que neste momento parece a ser uma grande assombração por tudo o que tenho afastado de mim.



Quem sai do secundário, em que tudo parecia complicado, mas que neste momento olho para trás, e vejo que havia uma maior facilidade, e que neste momento tudo parece obter uma dimensão que nunca previa. Sair de uma sala de 20 alunos para um auditório com mais de uma centena de universitários. Sair de uma escola onde basicamente se conhece tudo e todos, desde dos professores ao pessoal não docente. Sair de um meio cheio de amigos para um meio onde terei de fazer novos laços de amizade para que a integração se torne um pouco mais fácil e a aceitação da distância para que a saudade seja um pouco mais esquecida.

Ninguém disse que seria fácil, ninguém disse que o percurso até à aceitação seria fácil, ninguém disse que ser independente seria fácil, ninguém sabe o que lhe espera se não experimentar, ninguém sabe a atitude nem reação que vai ter assim que chega à universidade, por mais que queiramos estar numa situação estável o pensamento sempre estará longe.

Bem, acho que a melhor solução é sobreviver e esperar que o caminho seja feito com mais alegrias do que tristezas, enfrentar este “mundo” tão diferente e assombrado e fazer dele uma caminhada iluminada e com sucesso para quando olhar para trás ver que todo o esforço valeu a pena e que ir em busca de um futuro melhor só me tornou mais forte e com mais experiência.

Para todos os que estão a entrar nesta nova etapa, a maior sorte do mundo, a melhor integração, mostrem a força que nunca pensaram em ter porque por mais que seja difícil valerá a pena, sejam felizes.

Para terminar, um abraço enorme ao pessoal das ilhas que enfrenta as mesmas dificuldades que eu, mostrem que nada nos vergará e que deixar tudo para trás tem um objectivo, dêem alegrias aos vossos e a vocês próprios porque nada nos será entregue de bandeja.

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Este texto faz parte de uma série de textos de opinião de alunos do ensino secundário e superior sobre a sua visão do ensino e da educação.

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