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Tenho a certeza de que te lembras bem do dia em que pisaste a tua faculdade pela primeira vez. Tenho a certeza de que não esqueces aquele friozinho na barriga, no primeiro dia, nem o sentimento de incerteza e entusiasmo sobre que seriam os próximos anos. Tenho a certeza porque também o senti (e lembro-me tão bem).

Também tenho a certeza de que nunca pensaste que a tua licenciatura poderia acabar desta forma, no meio de uma pandemia. Eu também nunca pensei.



Este foi o mês pelo qual esperámos os últimos três anos, mas não é mais importante do que eles. Não é mais importante do que aquela primeira semana de praxe ou do que a primeira vez que viste os que são, hoje, os teus grandes amigos. Não é mais importante do que aquela festa incrível ou aquele trabalho que já não podias ver mais à frente. Mas é por não ser mais importante que tudo isso, que é importante. No fundo, o dia da queima (ou da bênção) é o dia que resulta de todos esses momentos importantes, os homenageia e celebra. É por isso que sonhamos tantas vezes com ele, sem saber se nos deixará felizes pelo que alcançámos ou tristes pelo que teremos de deixar para trás.

Este ano, nós, finalistas, temos uma sensação estranha. Não estamos na agitação de recolher fitas com mensagens emotivas, não estamos a aproveitar as últimas festas, nem a vestir o traje as últimas vezes. Este ano, nós, finalistas, estamos a terminar o curso à distância, sem saber quando nos vamos poder despedir e abraçar quem tornou o nosso percurso inesquecível.

É ingrato não poder celebrar da forma que esperávamos, mas é o mais seguro. E é isso que temos de pensar. Que tudo isto é para um bem comum e que nada nos tirará os momentos vividos de capa ao ombro.

Temos de acreditar que, um dia, iremos vestir o traje pela última vez, com aqueles que sempre o vestiram connosco.

E, nesse dia, teremos as nossas pastas repletas de fitas, dadas pelas pessoas mais especiais da nossa vida.

E, nesse dia, iremos cantar o hino do nosso curso pela última vez, com a paixão de sempre e a lágrima no canto do olho.

E, nesse dia, iremos gritar com orgulho, para que todo o mundo ouça que somos finalistas 2020.

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Este texto faz parte de uma série de textos de opinião de alunos do ensino secundário e superior sobre a sua visão do ensino e da educação.

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