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Nota inicial: Apesar de usar a física como exemplo neste texto, decidi não colocar física no título pois acredito que situações iguais/parecidas existem noutras áreas científicas. Não tenciono usar linguagem especializada da física, o objetivo é uma reflexão geral sobre a maneira como se aprende ciência.

Há uns anos atrás, vi uma série sobre a vida de Albert Einstein no National Geographic. E deixem que vos diga, aprendi muito mais de física ao ver aquela série do que em muitas aulas de física.

Não aprendi lei nenhuma, não aprendi a usar nenhuma fórmula, mas ainda assim aprendi física.



Digo isto, pois sinto que muitas vezes, por mais que os livros (e alguns professores) ensinem as leis da física, por vezes deixam escapar a parte humana que levou a que aquele conhecimento se produzisse e se aceitasse como ciência.

Exemplificando: lá no básico, quando aprendi a 2ª lei de Newton (Fr = m.a, para aqueles que não se recordem) fiquei um pouco transtornado…

Pensei, “Porque raios é que a força resultante num corpo há de ser igual ao produto da sua massa pela sua aceleração??? Porque é que eu tenho de aceitar isto?? Como é que chegámos até aqui??”.

Da maneira que a lei foi enunciada no meu manual, pensei que o livro estava a dizer-me indiretamente:

“- Olha, as coisas são assim porque sim, tens de achar sentido a isto, porque eu te estou a dizer que é assim… isto não devia deixar espaço para dúvidas.”

Olhei para o lado, e não me pareceu ter visto mais ninguém com este olhar de dúvida. Fiquei a pensar que todos tinham percebido e achado o resultado satisfatório, exceto eu. Pensei que não tinha intuição para a física.

Alguns anos depois, tive a oportunidade de ver a série e aprendi algo fundamental: até aqueles que a humanidade considera como dos maiores génios tiveram dúvidas, tiveram dificuldade em compreender algo, tiveram momentos em que a sua intuição lhes falhou. Fiquei radiante, pois pensei que se até esses tiveram dúvidas, então eu também teria todo o direito de as ter.

Quando Albert Einstein apresentou a sua teoria, alguns cientistas ao princípio riram-se dele, dizendo que não fazia qualquer sentido e que não passavam de ideias descabidas; mas eventualmente, depois de ter tempo para refletir e ver as evidências de que aquilo que lhes foi apresentado estava correto, aceitaram o que lhes foi proposto – hoje, admite-se que a Teoria da Relatividade Geral teve contribuições enormes para a ciência.

No entanto, para quem for aprender isto numa instituição de ensino, as coisas só lhe são apresentadas uma vez, e quem está no lugar do aluno não tem direito a questionar-se se as coisas efetivamente fazem sentido ou não; tem de as aceitar à primeira, quando, e reitero, até as mentes mais brilhantes tiveram dificuldade em fazê-lo.

Como muitas vezes nestes casos para que o aluno passe não é necessário que entenda a matéria, mas sim que saiba manusear as equações, acredito que muitas pessoas não chegam a compreender aquilo que deviam, que não devia ser de todo o objetivo de uma instituição de ensino.

É este tipo de gente que queremos formar, que passa sem compreender as coisas? Formamos computadores ou formamos humanos?

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Este texto faz parte de uma série de textos de opinião de alunos do ensino secundário e superior sobre a sua visão do ensino e da educação.

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