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Por favor faz Erasmus durante o teu curso, mas pensa no Planeta!


Já todos ouvimos que fazer Erasmus e participar noutras experiências internacionais, sejam elas voluntariado, estágios e intercâmbios, tem um grande  impacto na nossa vida pessoal, académica e profissional. Mas, e na vida do nosso planeta?! Fazer Erasmus é, sem dúvida, uma experiência inesquecível e que deverás aproveitar, por isso, quando surgir a oportunidade não te esqueças de fazer a tua candidatura. No entanto, esta também envolve uma grande pegada carbónica, por isso, temos o dever de procurar adoptar comportamentos mais sustentáveis durante esta experiência internacional. 

Na verdade é muito fácil adoptar os comportamentos predominantes no país para onde vamos e, por isso, em alguns casos é possível adoptar comportamentos diários mais sustentáveis, especialmente ao fazer Erasmus em países com melhores práticas ambientais, quando comparadas com as medidas implementadas em Portugal e com os comportamentos que já implementamos no nosso dia-a-dia. Mas, quando se faz Erasmus em países onde não existe um sistema de reciclagem eficiente, existe um maior preferência por opções descartáveis, não existem opções a granel, entre outros desafios, o nosso impacto ambiental aumenta drasticamente.

Independentemente do nosso destino há sempre oportunidades de sermos mais sustentável o que vai poupar não apenas o nosso planeta, mas também a bolsa de Erasmus e apoiar a economia local do país para onde vais.

1. Uma viagem e uma mala à medida

O primeiro passo é a viagem para o destino e, por vezes, pode fazer sentido fazer uma espécie de interrail até ao destino, no entanto considerando que ao fazer Erasmus para além de Espanha os transportes terrestres são caros e demorados, tendencialmente a escolha vai pender para transportes aéreos. Neste caso, toma em consideração que os voos diretos são a melhor opção e, no caso de não haverem voos diretos para o teu destino podes optar por um voo para outro aeroporto próximo e depois utilizar um autocarro ou comboio para o resto do percurso. Vista o Ecopassager para ficares a conhecer as opções de viagem para os diferentes destinos e a pegada carbónica de cada opção. 

Sobre a mala, sabemos bem que não é fácil escolher apenas o essencial, mas especialmente se és uma pessoa que adora compras garante que deixas algum espaço livre na tua mala e não levas mais do que precisas!

2. Conhecer a Europa de autocarro

Sabemos que a essência das experiências internacionais inclui conhecer todos os países perto do nosso destino de Erasmus, não é por isso que o cartão da Erasmus Student Network oferece 15% nos voos da Ryanair e uma mala de portão grátis. Mas, pensando na pegada carbónica e sabendo que é difícil dizer “não” a voos por 5€, tenta planear as tuas viagens de forma eficiente, ou seja, com o objetivo de reduzir os transportes que irás utilizar e prefere sempre transportes terrestres. Também há companhias de autocarro que praticam preços muito baixos e, se for noturno, ainda pupas uma noite no hotel.

3. Não deixes os básicos da sustentabilidade em casa

No teu dia-a-dia temos a certeza que já implementas vários comportamentos sustentáveis e, mesmo que no teu destino de Erasmus, essas não sejam práticas correntes, deverás mantê-los, pois certamente irás influenciar outras pessoas a fazer o mesmo. O mais óbvio será utilizar uma garrafa reutilizável que te irá ajudar a poupar muitas garrafas desnecessárias e ainda acrescentamos os sacos para as compras, um tupperware e produtos de higiene mais amigos do ambiente.

4. Uma alimentação saudável e sustentável

A alimentação a nível mundial é responsável por cerca de 1/4 das emissões dos gases de efeito estufa gerados todos os anos e, por isso, existem vários comportamentos que vão causar o menor impacto ambiental possível e que facilitam o quotidiano. 

Se vais fazer Erasmus certamente também tens uma certa curiosidade pela cultura local e, na nossa opinião, nada é melhor do que visitar os mercados locais. Ah e não te esqueças dos sacos reutilizáveis. Aqui podes “beber” da cultura, experienciar a hospitalidade local e apoiar a economia. Os produtos fora de época vêm de outros países, o que significa que são refrigerados e transportados por longas distâncias e, por isso, menos sustentáveis do que os produtos sazonais e locais. Desta forma, garantimos que nos mercados vais encontrar alimentos da altura do ano em estão mais frescos e mais saborosos.

Em Erasmus muitas vezes não vais querer cozinhar e, por vezes, vais precisar de ir ao restaurante. Isto é algo que não deves evitar, pois nada melhor do que conhecer a gastronomia local e a melhor opção é escolher os restaurantes locais, porque para sermos honestos, McDonald’s já temos em Portugal! Para além disso podes experimentar pratos vegetarianos ou veganos, uma vez que, de forma geral, irão ter um menor impacto ambiental e não desperdices comida, leva sempre o teu tupperware para guardar todos os restos, pois vai poupar o teu tempo no dia a seguir. 

5. A saga dos souvenirs 

Trazer presentes para a família e amigos é bastante tentador, afinal queremos sempre mostrar o que o país tem e, no final de contas, muitas coisas são tão diferentes de Portugal! Mas, tenta planear bem o que vais comprar e evita a impulsividade. Quanto maior for a utilidade dos souvenirs menor será o seu desperdício. Nós acreditamos que a comida tradicional, desde biscoitos e queijos, são sempre uma boa opção e que vão fazer as delícias lá em casa, mas para opções mais duradouras deves optar por souvenirs produzidos localmente, pois vais estar a ajudar um pequeno negócio em detrimento das grandes lojas de souvenirs. E, como já referimos, não te esqueças de deixar espaço na tua mala para todas estas novas aquisições. 

Para algumas pessoas o Erasmus pode ser um momento de viragem na adopção de comportamentos mais sustentáveis e, ser for o teu caso, não te esqueças de os manter no regresso a Portugal! No entanto se durante o teu Erasmus não tiveste a possibilidade de ser tão sustentável como desejavas, não desanimes e recupera os teus hábitos no regresso a Portugal. 

Este artigo foi escrito pela equipa da Associação Youth Cluster no âmbito do projeto “Sustainability on the Move”, desenvolvido pela mesma e que contou com o apoio do IPDJ – Instituto Português do Desporto e da Juventude.