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Olá. Antes de começar, permite-me que me apresente. O meu nome é Gilberto e sou estudante de Neurociências na Universidade de Dundee, situada na Escócia (Reino Unido). E venho precisamente falar disso, do facto de estar a estudar no estrangeiro. Decidi fazê-lo porque parece-me que, quando os estudantes transitam do secundário para o universitário, esquecem-se do que passaram: das dúvidas, da indecisão, do stress de não ter o futuro decidido. Mas eu lembro-me bem de como foi e de como me senti. E quero (não sou arrogante ao ponto de dizer que o vou conseguir), com este texto, tentar dar-te a ti, que estás desse lado, uma visão diferente do que pode ser o teu futuro.

Vou começar por te falar um pouco da minha história. Desde os meus dez anos, diria eu, mais coisa menos coisa, que o cérebro me fascina. Tendo em conta esta minha fascinação, o meu futuro, na minha cabeça, passava por estudar o cérebro. Portanto, quando pesquisava os cursos a que me poderia candidatar, Psicologia era invariavelmente a minha única conclusão. Mas essa conclusão nunca me satisfez, porque o que eu queria acima de tudo era estudar o cérebro, não a mente. No entanto, como nessa altura as opções que eu julgava ter se situavam todas em Portugal, Psicologia era o curso a seguir para mim. 



(Deixem-me fazer aqui um aparte acerca das expectativas que as pessoas têm quanto a bons alunos. Caso não estejam interessados nesta minha dissertação passem para o próximo parágrafo. Sempre que me faziam a inevitável pergunta “Então, o que estás a pensar seguir?” e eu respondia Psicologia, as pessoas tinham uma reação de surpresa (pela negativa) e de um certo desprezo. Isto porquê? Porque eu, modéstia à parte, sempre fui um bom aluno, portanto as pessoas imaginavam que iria seguir algo no ramo da Medicina ou das Engenharias. Portanto a minha resposta despoletava uma declaração em que vinha quase sempre à baila o desperdício das minhas qualidades. Felizmente, e abençoada seja a minha teimosia, consegui resistir a essas pressões sociais e acabei por “trilhar o meu próprio caminho”, como diria um mental coach. Não entendo esta necessidade das pessoas de projetarem nos outros as suas expectativas do mundo. Eu não quero fazer durante a minha vida toda algo que todos os outros fazem, eu quero fazer algo que me deixa feliz. #deixem-meserfeliz)
Na minha mente, tive, então, este futuro (entrar em Psicologia) delineado durante vários anos. No entanto (e felizmente, devo dizer), a certa altura decidi explorar um universo mais amplo que Portugal. E descobri que, no estrangeiro, poderia estudar Neurociências, o curso perfeito para mim, tendo em conta a minha paixão pelo cérebro. E essa descoberta foi determinante para mim. A partir daí comecei todo o processo de candidatura para o Reino Unido e, apesar dos percalços, fui aceite e estou, agora, alegremente a trabalhar para o único futuro que sempre desejei para mim, o de neurocientista (relativamente aos percalços, só para teres uma ideia, uma semana antes de começar o curso eu tinha sido rejeitado e estava a considerar um futuro em Portugal; felizmente, depois, tudo deu certo).

Depois de te dar este (longo) contexto, posso, finalmente, explicar-te a mensagem que te quero transmitir. Talvez estejas a pensar que te vou dizer que o ensino superior britânico é melhor do que o português. Mas, apesar de ter essa opinião, não frequentei o ensino superior em Portugal, portanto trata-se de uma opinião baseada no que os meus amigos que estão em Portugal me dizem, logo não te vou expor mais à mesma. O que te quero mesmo transmitir é que deves explorar as possibilidades que tens fora de Portugal. Talvez sejas como eu e aquilo que pensas seguir não seja bem o que queres. Quem sabe, o que queres mesmo talvez esteja disponível mesmo aqui ao lado, em Espanha. Talvez aches que o melhor futuro para ti está em Portugal. Mas se calhar vais explorar um bocadinho e descobres algo ainda melhor na Suíça. A questão aqui é que não podes saber se não explorares. E não custa nada explorar. Portanto fá-lo: pesquisa, investiga, explora o que o mundo tem para te dar. Talvez essa seja a diferença entre teres um futuro bom e um futuro perfeito.  

É compreensível que tenhas dúvidas e receios quanto a estudar fora de Portugal. Afinal de contas, é um trilho raramente percorrido por portugueses. Mas deixa-me acalmar alguns dos teus (possíveis) receios dando-te alguns detalhes sobre mim. Sou dos Açores, e não de uma das ilhas grandes. Nunca frequentei nenhum Instituto de Línguas ou algo do género. Nunca alguém da minha família, pelo menos que eu conheça, estudou no estrangeiro. O meu domínio do inglês era, até ao final do meu décimo segundo ano, paupérrimo. Não sou rico. E nunca tinha sequer imaginado para mim uma vida fora de Portugal. E cá estou. O que eu fiz, muita gente consegue também fazer. Portanto, põe os receios que possas ter de lado e começa a explorar. Porque saíres um pouco da tua zona de conforto e explorares não te custa quase nada, mas pode dar-te quase tudo.

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Este texto faz parte de uma série de textos de opinião de alunos do ensino secundário e superior sobre a sua visão do ensino e da educação.

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