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O primeiro ano de faculdade já começou e com ele as afamadas praxes, que por inúmeros motivos têm despertado diversas opiniões públicas sendo tendencialmente generalizadas pelos meios de comunicação social. No entanto, há que problematizar aquilo que é dito, por quem é emitido, não nos sucumbindo às “verdades” que progressivamente têm fundamentado a convicção de muitos. Vivemos numa sociedade altamente inflamável a nível informativo fruto da inovação digital e do rápido acesso às notícias, que chegam a casa de todos nós como verdades universais e incontestáveis. Todavia, estarei a estender-me no que diz respeito ao papel dos media na sociedade atual, afastando-me daquele que é o tema a abordar. Certamente que os media têm tratado o assunto de forma bastante sucinta, baseado em acontecimentos negativos, vulgarizando a praxe e omitindo toda uma panóplia de outras “verdades”, que muitos outros têm tido a oportunidade de presenciar. Com isto, não pretendo criar um panorama idílico sobre o que são as praxes académicas e muito menos criticar o trabalho jornalístico. Simplesmente, pretendo explicitar que nem tudo é mensurável a uma única realidade e da mesma forma que existem comportamentos menos corretos desenvolvidos em algumas praxes e que merecem uma severa atenção e punição de acordo com a gravidade dos atos cometidos, também existe o outro lado, o que não é explorado, aquele que não é alvo de notícia (talvez por não suscitar tamanho aparato público). A praxe não seria um tema muito citado antes dos últimos acontecimentos desastrosos, que de uma forma ou de outra foram associados àquilo que é a praxe, incendiando pareceres baseados em incidentes, o que inviabiliza o próprio conceito de praxe na esfera pública. Para muitos familiares que vêm os novos caloiros a participar e a envolver-se nas atividades académicas, há um sentimento de incertezas, receio e negação que facilmente são justificados quer pela falta de informação, quer pelas notícias que afiguram uma realidade de certa forma descontextualizada e demarcada. Falar-vos-ei agora sobre o lado de quem viveu, de quem sentiu e tão depressa não irá esquecer.



Só vos posso falar da minha experiência, do meu instituto, do meu curso. E digo-vos, que aventura! A primeira semana bastou para me aperceber da importância que a praxe pode ter no nosso percurso académico. Chegar a casa e dizer aos meus pais que a praxe que eles conheciam (das notícias e relatos de conhecidos) era tão diferente daquilo que eu vivi, foi um momento de viragem quer para eles, que mudaram completamente a sua atitude perante a minha participação (sentiam-se mais seguros), mesmo não entendendo a essência, quer para mim, que acabaria de ficar rendido ao grupo que me acolheu, acumulando um respeito enorme por quem me estaria a propiciar tal momento. A praxe é integração no seu sentido mais superficial. No entanto, acabamos por perceber que é muito mais que isso, estamos a falar de um espaço de partilha de valores, convicções, opiniões, experiências e emoções. A praxe é dar as mãos, dar asas á imaginação, conhecer, apreender, superar-nos a nós mesmos. Sim, nem tudo foi fácil. Acordar de madrugada, cumprir horários, o cansaço físico. Mas e o sentimento de dever cumprido? E o chegar a casa com a certeza de que tudo estava a valer a pena? Isso não tem preço nem uma explicação capaz de honrar tamanho sentimento. As palavras tornam-se parcas.

Agora que já não sou caloiro, sinto falta do que ficou. Muitas horas de pessoas, porque a praxe é feita de quem lá esta, da dedicação de cada um, do respeito de todos e do que cada um sente e retira da experiência . Quem pensa que as praxes não passam de grupos desorganizados, sem sentido e motivados pelas vontades de alguns, está a semear em si e na sociedade uma ideia errada, ou de certa forma a generalizar aquilo que é singular. Eu tive a oportunidade de ser confrontado com regras, que defendem a integridade e o respeito. Não podemos fazer tudo, não podemos dizer tudo porque a hierarquia permite. Fazer o que está certo pode ser bastante subjetivo, mas os nossos direitos individuais e coletivos são universais. Quem não assume ou não nutre o respeito necessário para com aqueles que estão envolvidos na praxe, então significa que essas mesmas pessoas não sentem, não sabem e não zelam pelo seu grupo e pela praxe em si. A praxe é de aderência livre, ninguém é obrigado a gostar ou a participar. Mas considero que todos devemos ter um sentido mais critico em relação àquilo que é dito. Não é por conhecer um caso que havemos de generalizar. Não é por não gostar que havemos de criticar. Mas quando algo corre mal também é nosso dever denunciar. Para os alunos que vão entrar agora na faculdade e se vêm confrontados com inúmeras dúvidas em relação a este tema, tentem e experimentem. Conheçam e criem uma opinião fundamentada. É uma experiência, do qual podes gostar ou não. Eu percebi o que era a praxe e só tenho a agradecer o que ela me deu!

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Este texto faz parte de uma série de textos de opinião de alunos do ensino secundário e superior sobre a sua visão do ensino e da educação.

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