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Sempre tive tendência a fascinar-me por assuntos pouco consensuais, talvez pela mania de querer sempre formar a minha opinião em relação a eles… Aconteceu o mesmo com a Praxe e acabei por me apaixonar.

Cheguei a Lisboa e sentia-me completamente perdida. Falaram-me da Praxe, e resolvi experimentar. Nesse dia, conheci um grupo de miúdos iguais a mim, que acabavam de chegar a uma cidade desconhecida, com os mesmos medos e inseguranças que eu.

Não tem conta o número de pessoas mais ou menos próximas que nessa altura me questionaram se me ia mesmo sujeitar à Praxe. De facto, eu era a pessoa com o perfil menos provável de querer entrar numa aventura destas, por ser tão tímida e gostar tanto de passar despercebida…



Mas sim, eu quis sujeitar-me. E continuei porque uma e outra vez não eram suficientes para formar opiniões e voltava. Voltava porque no meio de tudo o que era difícil e me fazia sair da minha zona de conforto, fascinava-me a forma como aqueles mais velhos falavam da Praxe. Falavam como quem fala de uma coisa que nunca perde o encanto e eu queria encontrar-lho. Voltava porque era admirável a cumplicidade criada e a saudade de quem voltava para sentir por uma última vez aquele espírito…

E decidi ficar sem imaginar o que me esperava… Dizer sim à Praxe é escolher viver a vida académica com uma intensidade inexplicável, porque a Praxe é muito mais do que tudo o que está à vista. Rimos, chorámos, partilhámos, enchemos, gritámos e no fim só desejámos que nunca acabasse.

Ser da Praxe é sentir um aperto no coração quando as nossas atitudes têm consequências nos nossos e ainda assim saber que no momento a seguir são os braços deles que nos esperam sem mágoas ou rancores, daquelas flexões. É frio na barriga, é partilhar gargalhadas e euforia nuns dias, e frustrações noutros.

Ser Caloiro é acima de tudo descobrirmo-nos e descobrir a forma mais bonita de podermos ver os outros. Encontramos nas nossas fragilidades e defeitos um caminho para a superação e nas pequenas conquistas deles uma força inimaginável para enfrentar qualquer dia difícil.

Tornamo-nos mais atentos e aprendemos a dar valor a coisas que o Mundo lá fora nem dá importância. Entendemo-nos entre olhares cúmplices, sentimo-nos mais fortes a cada toque e aperto do colega do lado. E através das mil e uma situações com que nos deparamos ao longo das semanas, aprendemos a ser mais tolerantes e a refletir sobre a importância da individualidade e das diferenças de cada um, para chegarmos a um objetivo juntos, afinal são as pessoas que dão tanto sentido à palavra PRAXE.

E nessas pessoas estão também incluídos, aqueles que mais fizeram por ser odiados de tão bem nos quererem.

E claro, os padrinhos, aqueles em quem encontramos um apoio incondicional para que vivamos esta jornada da melhor forma possível… São pessoas que de formas diferentes nos marcam e influenciam. E que já nostálgicos, por reverem em cada passo nosso, pedacinhos daquilo que viveram, nos fazem ter bem presente a noção de fugacidade do tempo e a importância de viver tudo com a maior intensidade…

A verdade é que a Praxe nos faz viver muito em muito pouco tempo… Mas foi nela que encontrei o ingrediente secreto que completa inexplicavelmente a minha vida académica.

Por isso, não deixem que a vossa, passe em branco. Permitam-se deixar entranhar em vocês a cidade e o orgulho do curso que escolheram, permitam-se descobrir a importância de valores como a União, a Humildade e a Inteligência em cada circunstância da Vida. Aproveitem as pessoas que partilham a aventura convosco e vivam-na com a intensidade de quem sabe que um dia lhe encontrarão o fim.

Tudo o que mais quero é que a Praxe não deixe de chegar às próximas gerações, que todos os anos possam sair turmas de miúdos tão felizes e unidos como a minha, dispostos a fazer pelos próximos tudo o que um dia alguém fez por eles. Porque Praxe foi e sempre será, dar e receber. E quem passa por ela jamais será o mesmo, afinal, em cada pedacinho de vida, há um pedacinho de Praxe… pelo menos naquela a que orgulhosamente chamo “minha”.

Escrito por alguém a meio caminho e que dava tudo para voltar ao primeiro dia.

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Este texto faz parte de uma série de textos de opinião de alunos do ensino secundário e superior sobre a sua visão do ensino e da educação.

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