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Lembro-me perfeitamente de toda gente falar sobre a praxe em Setúbal, quando aterrei lá pela primeira vez. Ouvia os charrocos, os veteranos e os licenciados a falar sobre a praxe com um brilho nos olhos e um amor inexplicável! Os licenciados contavam a sua história e diziam para aproveitar cada segundo ao pormenor. Eu gozava com eles e achava que era um exagero da parte deles, agora infelizmente já sei do que falam.

Tanta coisa era dita que decidi experimentar, acabadinha de chegar de Setúbal sem conhecer ninguém, pensei que não tinha nada a perder.

Queria viver aquilo como eles viviam com a alma e coração.



Entrei na praxe como caloira e nem consigo colocar em palavras o que senti, lá está aquele amor inexplicável que eles tanto falavam. Entre jogos e joguinhos, entre as pausas para comer, entre o emblemático desfile pelas ruas de Setúbal, entre o autocarro, entre as provas livres, entre o famoso tribunal conheci às pessoas. Aquelas pessoas que hoje dia posso chamar de Família, porque fazem parte da minha família. Se me dissesse que ia conhecer logo na praxe aquelas pessoas que já não vivo sem, não acreditaria. Porque a praxe faz-se de pessoas, pessoas essas que respeitam quando não queres fazer algo e acima de tudo respeitam os teus valores. Através da praxe acabas por escolher um padrinho e uma madrinha. Escolhes e no início nem percebes bem como funciona a relação de madrinha e afilhada. Quando dás por ti, a tua madrinha já faz parte da tua vida e da tua família. E tu já não vives sem aquela presença.

De caloira, passei choca não passei à primeira na praxe, o mundo caiu-me, não porque tinha que repetir a praxe outra vez. Mas porque as minhas estavam do outro lado, de traje. Foi difícil, mas o meu amor à praxe e o desejo de um dia puder vestir-me de negro foi maior!

Assim fui, voltei a repetir com toda a garra e força do mundo. Gritei, enchi, sorri e corri como não houvesse amanhã. Tive as pessoas certas do meu lado, por isso o percurso foi muito mais fácil.

Toda a especulação que ouvia em relação à praxe ser um bicho de sete cabeças, nunca foi confirmada. E hoje já charroca, dava tudo para repetir mais uma semana porque é muito mais giro e divertido quando temos a camisola do caloira vestida. Não, que com o traje não seja, mas a tua postura muda completamente.

Por isso, quando me perguntam se aconselho a ir à praxe, digo com toda a certeza do mundo que sim que devem ir.

Vão, experimentem e criem a vossa opinião.

Não vale pena ouvirem as notícias ou as opiniões alheias cada caso é um caso.

Vão e divertiram-se e vivam tudo como se amanhã fosse o último dia!

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Este texto faz parte de uma série de textos de opinião de alunos do ensino secundário e superior sobre a sua visão do ensino e da educação.

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