Sou uma aluna na Universidade, no primeiro ano, já foi dado início ao segundo semestre. Não sou uma pessoa com vasta experiência com professores universitários, mas neste meu primeiro semestre tive 5 cadeiras, e passei por processos de aprendizagem com oito professores repletos de conhecimento em maioria dos casos inútil. Desses oito, um deles, e volto a citar, apenas um deles é considerado um bom professor, não passa cerca de 5 meses a debitar matéria por PowerPoint, à espera que cerca de 70 alunos dentro de um auditório durante 4 horas, ouçam tudo o que passa por aquele projetor, que por acaso foi o que aconteceu com todos os outros professores com que tive aulas.

A minha experiência no primeiro semestre foi um tanto chocante, arrebatadora, assustadora, intimidante. Foi tudo aquilo que eu não esperava que ia ser. Passei por várias situações revoltantes com certos “professores universitários”. Consegui perceber no que consiste a universidade: uma selva. Há regras entre alunos, entre professores, e entre alunos e professores, regras essas que consistem em “calcar” os outros, mesmo que isso não signifique sucesso pessoal, apenas o facto de a outra pessoa ter ficado no fundo já é um objetivo cumprido para essas pessoas cheias de nada. Os professores não fogem á regra, criam batalhas pessoais entre si e outros docentes, ou até mesmo com os alunos. Podia relatar várias situações que passei com professores, mas iria ser uma lista demasiado longa, ou situações pelas quais eu e as minhas colegas passamos, nós, “estas gajas”, como um professor nos enunciou numa das aulas em que compareceu. Sim porque eram raras as aulas em que ele comparecia, ou por motivos que nos eram alheios, ou porque na noite anterior tinha ido para a noite académica (e como é obvio, é demasiado complicado dar aulas de ressaca), mas também havia os dias que estava sem vontade, não lhe apetecia dar aulas (é de salientar o descaramento de um docente para ter coragem de dizer isso aos seus alunos). Este mesmo professor corrigiu-me um teste, e a minha classificação foi menos de metade daquilo que estava à espera, e não me deixou ver o meu teste e alegou que eu tinha reprovado à cadeira. Mas eu fiquei com uma dúvida: então se ele é professor universitário, já com um doutoramento (mas nas aulas cada frase que dizia correspondia a pelo menos uma palavra dita “pouco institucional”), e já que corrige os testes tão bem, porque não me deixou ver a correção? Apenas me chumbou porque na minha situação lhe dava menos trabalho eu chumbar do que passar. Ainda achei que a direção se preocupava minimamente com estes casos absurdos, mas era “um problema meu”, “a cadeira continua na universidade para o ano”.



É tudo um negócio onde só se safa quem segue o regime “cada um por si”. Tenho muita pena que hoje em dia só é minimamente reconhecido quem tem uma licenciatura (apesar de estar também a perder valor). Frequentar um estabelecimento de ensino superior é, na minha opinião, uma obrigação porque é a única forma de tentar não ter um futuro mísero.

Resumindo, a universidade para mim está a começar por ser a pior etapa da minha vida. Os alunos são tratados por míseros objetos inúteis e sem valor próprio, que são grande parte do sustento da universidade. Nós, os alunos, somos apenas clientes da universidade, não somos o futuro deste país.

Gostava que as pessoas tivessem uma noção mais realística do ensino superior, não é tudo fácil nem um mar de rosas. É o começo da vida real.

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Este texto faz parte de uma nova série de textos de opinião de alunos do ensino secundário e superior sobre a sua visão do ensino e da educação.

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