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A vida é um jogo de ações voluntárias e conscientes. Para cada segundo, uma nova ação. Penso. Não penso. Delibero. Ou não. Mas sempre me guio por valores. Valores que pautam a minha existência. Ideais que iluminam o meu caminho.

Se questionasse todo o leitor, de modo a apurar quantos daqueles que me leem não afirmam guiar-se por valores como… a igualdade ou o respeito, seria o autor de um frustrado e sobejo estudo de estatística. Um estudo tão supérfluo, inútil, que abismaria toda a comunidade científica. No entanto, seria certamente interessante questionar esses mesmos leitores se, por alguma vez, uma que fosse, ultrapassaram de forma desaforada seus semelhantes na fileira que espera lambiscar-se na cantina, por tanto almejar as iguarias da D.ª Dulce. Será o apetite fundamento suficiente para postergar a minha própria tábua de valores?



Pelas últimas semanas do passado janeiro, a Escola Secundária Gabriel Pereira enfeitou-se de balões de todas as cores e foi alegremente pintada de todo o tipo de frases cor-de-rosa. Um cenário trivial, que tanto poderia ser espelho de eleições para a associação de estudantes, outrora vistas, como de eleições para o programa Parlamento dos Jovens, o que aliás foi. O contexto é sempre o mesmo e o espetáculo também: -Come um bolinho filha, que estás muito magrinha – prometem – e já agora vota X para termos a urna bem gordinha – acrescentam. Facilmente poderíamos pensar que esta gente não respeita valores porque, simplesmente, não os tem. Não é bem assim.

Pelas últimas semanas do passado janeiro, eu mesmo fui populista. Todos nós já passámos por dilemas morais, o ter que prescindir do que achamos estar correto, às vezes porque somos coagidos a tal. Não foi o meu caso. Deixei-me levar. Violei fortemente valores como o da honestidade ou o da liberdade, pelos quais sempre pensei orientar-me. Boas notícias: a minha lista levou dez deputados à fase escolar do projeto, das mais votadas, o máximo possível! Mas terá tudo isto legitimado o desrespeito constante pelo outro e uma forte desconsideração por mim mesmo? – reflito. Talvez não. Talvez preferisse levar apenas dois deputados à fase seguinte do concurso, sabendo que o eleitor tinha votado em convicções, e não em fatias de salame de chocolate (que recomendo vivamente, apenas quinze cêntimos por voto!).

A vida é um jogo de ações voluntárias e conscientes. Guiamos a nossa ação por valores, ideais que frequentemente desvirginamos para satisfazer vontades levianas, ímpetos frívolos, sem qualquer valor. Este é o meu testemunho. Assim me confesso. Um sincero pedido de desculpas. Tudo para que o leitor se lembre que… nem sempre vale a pena, se a alma for pequena.

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Este texto faz parte de uma série de textos de opinião de alunos do ensino secundário e superior sobre a sua visão do ensino e da educação.

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