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Processo de realização de uma dissertação


O processo de realização de uma dissertação de mestrado é, para muitas/os estudantes, longo e nem sempre satisfatório. Para mim, por exemplo, que tenho dificuldades em resistir a projetos de longo prazo, tem sido um excelente desafio para articular a minha capacidade de pensamento teórico-analítico (sobre a temática pesquisada) com a prática de aprender a caminhar devagar, a recuar, a alterar e a avançar sempre com cuidado e com a consciência da omnipresença do vaivém investigativo que os conceitos, as metodologias e os dados implicam.

O primeiro ponto que importa aquando da realização de um trabalho com esta envergadura é o problema de estudo que pretendemos analisar. Não se trata de um problema no sentido que usualmente lhe damos, ou seja, algo que desestabiliza o equilíbrio das coisas e que precisa de ser resolvido. É, sim, o fenómeno acerca do qual pretendemos saber mais. Para isso, há a necessidade de apreciarmos o que iremos estudar. Se vamos passar pelo menos um ano a debruçarmo-nos naquele aspeto muito particular de toda uma realidade social que é infinitamente grande, não há forma de desenvolvermos um projeto sobre as suas particularidades quando não gostamos daquilo que, praticamente todos os dias, iremos ver em livros, artigos, teses, entre outras fontes de produção de conhecimento científico. No meu caso, estou a realizar uma dissertação acerca do bem-estar que as/os estudantes de ensino superior almejam alcançar a partir da escolha dos seus cursos e da realização dos mesmos. Porque o bem-estar é uma parte de mim, de nós, enquanto seres humanos, este tema toca-me particularmente, até porque um dos meus objetivos é interpretar o bem-estar a partir de perspetivas psicológicas, políticas, socioeconómicas, educativas e até mesmo ambientais, portanto, na sua potencial transversalidade. No fundo, o que pretendo afirmar é que a nossa relação com a temática em causa deve ter alguma intimidade, quer seja pelo gosto, quer porque nos marca enquanto indivíduos e membros de uma coletividade.

Outro elemento que não é de somenos é a seleção do/a orientador/a. Este/a deve, naturalmente, ser um/a especialista na área em que nos encontramos a realizar o nosso trabalho de finalização de mestrado. No entanto, também necessita da componente humana, não só ao nível da organização – saber trabalhar bem, com objetivos que possamos discutir, com tempos delineados – como também da empatia – demonstrar disponibilidade, estabelecendo uma autoridade que demarca as posições em que ele/a e nós nos encontramos, mas que ao mesmo tempo é exercida no sentido do aconselhamento com humanidade. Temos de nos identificar com o rigor e a amabilidade deste/a orientador/a, que não é, claramente, igual em todas as pessoas.

Finalmente, retorno ao primeiro parágrafo. É imprescindível termos a noção de que uma dissertação não começa hoje e acaba daqui a uma, duas semanas ou até um mês. Não só porque temos momentos de maior ou de menor produtividade como o próprio terreno em que os fenómenos acontecem nos obrigará a uma reformulação da abordagem, eventualmente até dos objetivos, métodos e técnicas utilizadas para recolha, tratamento e análise de informações. Seremos certamente avisadas/os desta imprescindibilidade da paciência, mas iremos também contactar com ela. Será uma aprendizagem que, independentemente de termos avaliado o resultado do trabalho como muito negativo ou positivo, conservaremos, já que num mundo tão acelerado um ano representa muita coisa.

Aqui especifiquei a situação da concretização de uma dissertação de mestrado na medida em que é aquela que corresponde ao momento presente na minha trajetória académica. Todavia, creio que estes pontos são igualmente relevantes em doutoramentos, pós-doutoramentos e outros cursos que exigem uma escrita e uma reflexão prolongadas e acompanhadas. Desejo a todas/os aquelas/es que se encontram nesta fase de finalização dos seus cursos sucessos e força para conseguirem manter a motivação alinhada com o esforço e com a expectativa de sucesso futuro.

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Este texto faz parte de uma série de textos de opinião de alunos do ensino secundário e superior sobre a sua visão do ensino e da educação.

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