PSP e GNR registam 3.320 denúncias de violência no namoro. Vítimas são sobretudo do sexo feminino

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A PSP e a GNR iniciam esta segunda-feira uma operação nas escolas de sensibilização para a prevenção da violência no namoro, um fenómeno que resultou em 3.320 denúncias registadas em 2021, anunciaram as forças de segurança.

“Em 2021 foram registadas mais de 2.215 denúncias de violência no namoro, sendo a grande maioria das vítimas do género feminino”, adiantou a direção nacional da PSP em comunicado.

De acordo com o mesmo texto, a maioria dos relatos de violência no namoro apresentados à Polícia de Segurança Pública (PSP) no ano passado envolveram tanto violência psicológica como física.

Em 2021, chegaram à PSP 2.215 denúncias de violência no namoro, a maior parte das quais (1.279) relativa a situações entre ex-namorados. As restantes 936 são referentes a relações que ainda decorriam. As vítimas são, na sua grande maioria, do sexo feminino. Em 2020 houve 2006 denúncias, e em 2019 os números chegaram a 2100.

Apesar de salientar que os casos são transversais a todas as faixas etárias, a PSP esclarece ainda que, das 6321 denúncias recebidas nos últimos três anos, mais de um terço (2266 casos) diz respeito a vítimas até aos 25 anos, sobretudo entre os 18 e os 25 anos — foi a este grupo que se referiram 643 denúncias recebidas em 2021.

Para assinalar o Dia de São Valentim que se assinala esta segunda-feira, a PSP inicia nas escolas portuguesas uma operação de sensibilização e informação, que vai decorrer até 25 de fevereiro, “reforçando o compromisso da prevenção da violência doméstica e, em particular, da violência no namoro”.

De acordo com esta força de segurança, a operação destina-se aos alunos do terceiro ciclo do ensino básico e do ensino secundário – faixa etária dos 13 aos 18 anos -, através dos polícias que integram o Programa Escola Segura.

“A intervenção precoce é um dos princípios de atuação consagrado na legislação de menores em Portugal e, particularmente nesta matéria, são reconhecidos os efeitos negativos na formação da personalidade e referências sociais das crianças quando expostas à violência em ambiente familiar”, adiantou o comunicado.

A PSP considerou ainda que a replicação desses comportamentos nas relações de namoro “são um indício da necessidade de intervenção especializada” e apelou à denúncia da violência, quer seja no namoro ou em qualquer outro contexto.

“As vítimas, ou qualquer outra pessoa que tenha conhecimento da situação, devem apresentar queixa nas esquadras ou procurar ajuda junto das Equipas da Escola Segura (contexto escolar) ou das Equipas de Proteção e Apoio à Vítima”, salientou a direção nacional da PSP.

Já a GNR registou, no ano passado, 1.105 crimes em todas as faixas etárias, 332 com idade até aos 24 anos.

Em comunicado, a GNR indica também que durante o ano de 2020 foram registados 1.110 crimes de violência no namoro em todas as faixas etárias. Desses crimes, 365 vítimas encontravam-se na faixa etária até aos 24 anos.

A campanha #VaisParar, que se inicia esta segunda-feira, Dia de S. Valentim, e termina a 20 de fevereiro, visa incentivar todos os jovens a denunciar e a não aceitar qualquer tipo de violência psicológica, emocional, física, social ou sexual.

Durante a campanha, a GNR vai realizar ações de prevenção e sensibilização, visando combater “comportamentos violentos e todas as formas de agressão existentes, em especial no namoro entre jovens, onde estes comportamentos são precoces”.

A GNR destaca a importância de alertar os jovens para a importância das relações saudáveis baseadas em princípios e valores como o respeito, tolerância e autoestima.

“A Guarda continua a direcionar e a priorizar as Secções de Prevenção Criminal e Policiamento Comunitário para as escolas e para a educação dos nossos jovens”, refere a GNR.

Na nota, a guarda diz também ter vindo a reforçar as suas campanhas de sensibilização e a apostar em ações de formação ao seu efetivo.

De acordo com a GNR, o impacto deste tipo de violência “em idades precoces pode ser a aceitação desta violência no futuro, comprometendo as vítimas envolvidas, as suas famílias e a sociedade no seu conjunto”.