O que é o QS World University Rankings by Subject?

O QS World University Rankings by Subject é utilizado para auxiliar os estudantes a identificar as melhores faculdades, ao nível mundial, em 48 áreas (divididas em cinco grandes grupos). Estes grupos são: Artes & Humanidades, Engenharia & Tecnologia, Ciências da Vida & Medicina, Ciências Naturais & Ciências Sociais & Gestão.

Como é que as instituições são avaliadas?

Existem quatro fatores a ter em conta nesta avaliação internacional das instituições do Ensino Superior:

  • a reputação académica (aqui são tidas em conta as áreas que os docentes, mestrandos e doutorandos dominam e a investigação realizada);
  • a reputação dos empregadores (é-lhes pedido que identifiquem dez instituições do seu país de origem e 30 internacionais que considerem de excelência para o recrutamento de recém-licenciados);
  • as citações por artigo (isto é, quantas vezes algum membro de determinada faculdade é citado num artigo; não são contabilizadas as citações por cada investigador);
  • o h-index (mede a produtividade dos docentes e investigadores de uma instituição bem como o impacto dos trabalhos realizados).

Que resultados obteve Portugal este ano?

Ao nível nacional, a Universidade de Lisboa ficou em primeiro lugar em quatro áreas e em segundo na de Ciências Sociais & Gestão (tendo sido ultrapassada pela Universidade Nova de Lisboa). As universidades que mais surgem no ranking são as duas referidas anteriormente, a Universidade do Porto, a Universidade de Coimbra e a Universidade de Aveiro.

A Universidade Católica Portuguesa deu cartas em Artes & Humanidades (entre os 451º e 500º lugares internacionais e no 5º ao nível nacional) e em Ciências Sociais & Gestão (395º lugar internacional e 4º nacional) e o Instituto Universitário de Lisboa (ISCTE) surge entre os 401º e 450º lugares no panorama geral e no 5º em território português.

Podes consultar o ranking completo em cada uma das áreas aqui.

Para esclarecer as tuas dúvidas acerca deste ranking, o Uniarea esteve à conversa com Luís Filipe Castro, vice-Reitor para a área da Promoção da Qualidade, Comunicação, Eficácia e Eficiência da Universidade de Aveiro.

Maria Moreira Rato (M.M.R) – Este ano, a Universidade de Aveiro destacou-se na Engenharia & Tecnologia e nas Ciências Naturais, tendo ficado, respetivamente, em quinto lugar em ambas as áreas no panorama nacional. O que torna esta instituição relevante nestes domínios?
Luís Filipe Castro (L.F.C) – Desde a sua origem que a Universidade de Aveiro (UA) exibe valências científicas de nível internacional nas referidas áreas de Ciências Naturais e Engenharia e Tecnologia. A atual classificação reflete o nível de topo internacional do corpo de investigadores e docentes da instituição naquelas áreas.
Em especial, congratulamo-nos pelo primeiro lugar nacional na área de Ciências de Materiais (e que a nível mundial se encontra na classe entre os lugares 151 e 200). Engenharia Química, Química, Engenharia Mecânica, Engenharia Elétrica e Eletrónica, Ciências do Ambiente e Física e Astronomia foram também áreas nas quais a UA obteve lugares de grande destaque mundial nesta edição do QS World University Rankings by Subject.

M.M.R – O que leva a que a UA esteja na linha da frente nestas áreas?
L.F.C – A grande inovação, capacidade de realização de projetos e competitividade internacional, também documentadas em publicações internacionais, são parte do segredo do sucesso da universidade.

M.M.R – O que pensa acerca da metodologia utilizada para avaliar as instituições?
L.F.C – Saliente-se que a metodologia deste ranking é baseada essencialmente nos seguintes quatro indicadores: “academic reputation” (medido através de inquéritos), “employer reputation” (igualmente medidos através de inquéritos), “research citations per paper” (obtido a partir da “Elsevier’s Scopus database”) e H-index (também lido a partir da “Elsevier’s Scopus database”).
Estas áreas, na UA, foram muito bem pontuadas nestes dois últimos indicadores – medidos não com base em inquéritos mas sim através da base de dados internacional Scopus que supervisiona um conjunto muito amplo de revistas científicas internacionais.

M.M.R – Que percurso tem sido realizado, tanto pelos estudantes como pelo staff académico, desde 1973, para que a UA seja reconhecida nacional e internacionalmente nas áreas acima referidas?
L.F.C – A UA, embora seja uma universidade jovem, contando apenas com 45 anos de idade, realizou já um longo percurso evolutivo desde o seu aparecimento em 1973.
Um dos pontos-chave do sucesso da UA tem sido o seu cariz inovador. Logo nos seu primeiros anos, foi inovadora em várias áreas, entre as quais destacamos as formações nas áreas de telecomunicações, formação integrada de professores, engenharia cerâmica, engenharia do ambiente, planeamento regional e urbano, engenharia e gestão industrial, turismo e música.

M.M.R – A UA não se destaca nos outros campos científicos que leciona?
L.F.C – Esta marca inovadora tem sido transversal e, portanto, não se encontra presente somente nas áreas acima apontadas. Porém, naquelas áreas, a grande envolvência em projetos multidisciplinares, internacionais e integradores de estudantes e bolseiros de investigação têm permitido alcançar grande visibilidade internacional e muito elevada reputação entre pares das mesmas áreas científicas.
Uma consequência desta desenvoltura científica da UA é atestada pelo muito elevado número de citações internacionais das publicações científicas que aquelas áreas têm sistematicamente exibido. Sendo este um critério importante para as classificações do QS World University Rankings, ele explica, em parte, o sucesso mundial daquelas áreas na Universidade de Aveiro.

M.M.R – Entre a crise económica nacional enfrentada, passando pelo desemprego crescente até aos orçamentos curtos de que as instituições do Ensino Superior público dispõem, qual é o segredo para continuar a captar a população estudantil para a UA e manter o sucesso?
L.F.C – A organização única da UA, baseada num modelo sem faculdades, com elevada proximidade entre estudantes, docentes e investigadores, facilitadora do cruzamento de saberes e geradora de interdisciplinaridade, bem como a grande qualificação dos quadros da UA, têm contribuído para uma grande e crescente atratividade pela instituição.
Além disto, a UA, sendo uma instituição de ensino superior que inclui os dois subsistemas universitário e politécnico (com quatro escolas politécnicas) potencia igualmente vivências académicas e formações com distintos níveis de conexão.

M.M.R – Essa complementaridade acrescenta pontos à UA aquando de avaliações internas e externas?
L.F.C – Esta complementaridade encontra-se muito bem acomodada na grande envolvência que a UA possui no tecido empresarial de toda a região centro e parte da região norte de Portugal. De facto, sistemáticas necessidades específicas do tecido empresarial inerentes aqueles dois diferentes tipos de formação superior têm permitido à UA oferecer uma flexibilidade de soluções difícil de igualar.
As circunstâncias antes mencionadas aliadas a um sistemático crescente sucesso ao nível dos projetos de investigação, sedeados na UA, têm permitido continuar a ter estudantes de elevada qualidade e que se envolvem em investigação, aumentar a internacionalização da universidade e obter resultados de reconhecido nível internacional, pese embora as recentes dificuldades económicas que temos presenciado em Portugal.