Foto da Carnegie Mellon University in Qatar

Sim, entrar no Ensino Superior sem Exames Nacionais é possível


1 de abril de 2022, o dia que mudou o rumo da minha vida. Um SMS a dizer “OFFICIAL MESSAGE FROM CARNEGIE MELLON UNIVERSITY” aparece no meu telemóvel às 17 horas. Estranho, não só porque tinha acabado de acordar da minha sesta como me apercebi que tinha calculado mal o fuso horário do Qatar em relação a Portugal. Na mensagem referia que o meu resultado de admissão estava disponível no portal da Universidade. Ainda ensonado e na cama vou ao browser do meu telemóvel, aos separadores dos favoritos e lá faço o login no portal. Rapidamente aparece um vídeo do diretor de admissões a dizer “Congratulations”. Desconfiado, fecho de imediato o vídeo e veem os confetes virtuais em adjunto com a carta de admissão. Entro em choque, não só porque tinha sido aceite, mas também porque a taxa de admissão tinha sido a mais baixa desde a abertura do campus (6,9%). Dos candidatos de mais de 90 nacionalidades tinha sido um dos privilegiados a conquistar um lugar nesta instituição.

E com isto partilho a minha história. Sou estudante do ensino secundário público português em Ciências e Tecnologias. Desde sempre olhei para medicina como o percurso profissional a envergar. Porquê? Talvez por pressão familiar e porque era simples, não havia muito em que pensar ou problematizar, era continuar a tirar boas notas. No final do décimo ano tive a oportunidade de participar num programa de mobilidade Erasmus +, o que me permitiu desenvolver e aprofundar diversas questões económicas, políticas e sociais da Europa e do mundo. Além disso, tive a oportunidade de fazer networking com pessoas que influenciaram os meus objetivos pessoais e académicos. Fui introduzido a uma realidade na altura impensável, ir estudar para o estrangeiro. Ao redor, os meus colegas estavam a seguir currículos académicos internacionais e a preparem-se para exames como o SAT e o IELTS/TOEFL.

Pensei que não era capaz, para mim a escola já era trabalho o suficiente e além do mais estaria a investir num processo moroso, sem garantias. A verdade é que sem riscos não há vitória, e não me conformava com a ideia de estudar em Portugal.  Com isto, passo às etapas do meu processo de candidatura ao ensino superior no estrangeiro.

Em primeiro lugar, foi definir a área de estudo. No meu caso, Business Administration. Em segundo, pesquisar as melhores instituições nesta mesma área, custos associados e bolsas. Cheguei a duas instituições que cumpriam os meus requisitos: Carnegie Mellon University e Rotterdam School of Management. Optei pela candidatura ao campus da CMU no Qatar face ao diploma ser o mesmo de Pittsburgh nos Estados Unidos e a Fundação do Qatar ser extremamente generosa no Financial Aid. De seguida, foi ter em atenção os requisitos de candidatura. Em ambas tive de apostar fortemente em extracurriculares e nos exames de acesso, além de manter boas classificações no ensino secundário. No fim, fui aceite em ambas as universidades. Escolhi a Carnegie Mellon face a não só ter uma bolsa de mais de 200 mil euros, como também por ser uma das instituições mais prestigiosas nos Estados Unidos.

A nível de exames não me preocupei muito (SAT, OMPT-A e IELTS). Não são fáceis, mas também não são muito difíceis. Honestamente não tive grande necessidade em estudar, já que sempre tive boas notas a Inglês e a Matemática. Relativamente às atividades extracurriculares tenho algumas recomendações e dicas. É excelente praticarem um desporto, instrumento, andarem nos escuteiros, etc. No entanto, é essencial diversificarem-nas. Ativismo, voluntariado, política, estágios, programas de verão, etc. Têm muitas organizações não governamentais em que se podem envolver, e diversos programas de mobilidade Erasmus+. Além do mais recomendo a candidatarem-se ao programa EducationUSA Portugal Competitive College Club. Tem conexões com a Fulbright Portugal, e auxilia-vos gratuitamente no processo de candidatura a universidades americanas. Disponibiliza também documentos modelo de como os vossos professores devem preencher a plataforma Common App e escrever cartas de recomendação, algo extremamente útil já que as nossas escolas não estão habituadas a este processo. 

A melhor parte vai ser estarem no fim do segundo período do décimo segundo ano e saberem que já estão na universidade. Isto significa que as notas tidas em conta são até às do primeiro período do vosso último ano de escolaridade. Ah, e já me tinha esquecido, não precisam de passar pelo IAVE Summer Fest!

Espero que vos tenha despertado curiosidade e em caso de dúvidas sintam-se livres para me contactar pelo Instagram @eduardovicentedecarvalho.

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Este texto faz parte de uma série de textos de opinião de alunos do ensino secundário e superior sobre a sua visão do ensino e da educação.

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