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Seguir a área de Línguas e Humanidades no ensino secundário não é fácil. Porém, engane-se quem pense que estou a falar da dificuldade das suas disciplinas específicas. Nem sequer me refiro às saídas profissionais da área. Quando afirmo que seguir Línguas e Humanidades no ensino secundário não é fácil, refiro-me somente a um dos maiores flagelos da nossa sociedade: a opinião dos outros!

É comum ouvir por aí aquela falsa questão da facilidade das disciplinas de cada área. Aliás, faz parte do senso comum a ideia de que os cursos de Artes e de Humanidades são, porventura, “mais acessíveis” do que Ciências ou Economia. Porém, não entremos por esses caminhos. Qualquer pessoa minimamente inteligente sabe que a facilidade, ou não, de uma disciplina depende, obviamente, das capacidades e aptidões intrínsecas de quem a frequenta. Logo, é completamente inútil e absurdo dizer que o curso A é mais simples ou básico do que o curso B.



Daqui fala-vos um aluno de Humanidades. Estou prestes a terminar o 12º ano, porém, lembro-me com exatidão aquilo que ouvi, li e senti quando, há três anos atrás, escolhi ingressar nesta área. Eis uma pequena listagem de frases-tipo que os aspirantes ao “curso das letras” terão de ouvir:

Então andas a fugir à matemática?

Esta é, sem sombra de dúvidas, a número um. Escolher Línguas e Humanidades não é gostar de Línguas e Humanidades… escolher Línguas e Humanidades é não gostar de Matemática. Eu, e os demais alunos de letras, somos os “fugitivos à Matemática”. Para a opinião pública, nós não seguimos aquilo queremos… seguimos aquilo que não é o que nós não queremos. Que culpa tenho eu que todas as áreas nos lecionem Matemática, menos a área que eu gosto?

Isso é meio caminho andado para o desemprego!

Sim, é verdade que, infelizmente, temos no nosso país uma percentagem considerável de jovens desempregados. Mas será essa percentagem exclusiva da nossa área? Para isso, teríamos de assumir que os empregos relacionados com a comunicação, com as línguas e com as ciências sociais estão a desaparecer. Estará a comunicação em vias de extinção? Estaremos a caminhar para um futuro onde a informação e a socialização terão cada vez menos importância? Estará a inovação tecnológica a roubar-nos postos de trabalho? Eu diria exatamente o contrário, pois se não fosse a internet e a sua evolução, ninguém estaria a ler este meu texto!

Porque é que não vais para ciências onde tens, não só as mesmas, como ainda mais saídas?

É um facto que, muitos de nós, aos 15 anos de idade, não sabe ainda ao certo o que quer fazer da sua vida profissional. No entanto, há quem já saiba que, independentemente da profissão específica, será algo relacionado com uma certa área. Não é preciso perdermos três anos da nossa vida a ver o ementa do restaurante, quando já sabemos aquilo que vamos pedir para petiscar. Portanto, é óbvio que seguiremos o caminho que mais nos agrada, e com o qual mais nos identificamos.

Por estes motivos, se estás a acabar o básico e estás inseguro com a tua escolha, esta última mensagem é unicamente para ti: segue a área que mais gostas, que tenha as disciplinas que te despertem mais interesse, aquelas que sentires que te serão mais úteis no teu futuro; confia nos teus instintos, pois se estiveres numa área que gostes, terás certamente melhores notas para prosseguires os teus estudos na faculdade; e, por fim, segue os conselhos de quem sabe, de quem tem sucesso, e, sobretudo, segue os conselhos de quem é feliz com as suas escolhas.

Boa sorte!

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Este texto faz parte de uma série de textos de opinião de alunos do ensino secundário e superior sobre a sua visão do ensino e da educação.

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