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No passado dia 27 de dezembro, saiu uma notícia no jornal Público, que a Uniarea também divulgou, sobre a pretensão ou, no mínimo, a abertura do Instituto de Avaliação Educativa (IAVE) em “travar notas demasiado elevadas”. Em causa está um alegado nível de facilitismo que a metodologia adotada por este instituto, face às constrições provocadas pela pandemia da Covid-19 no último ano letivo (2019/2020), originou, a qual correspondeu à introdução de dois grupos de questões, um de cariz obrigatório e outro com perguntas passíveis de escolha pelos estudantes, nomeadamente conforme os conteúdos que teriam sido ou não lecionados em aula durante o ano. O problema dá-se com este segundo grupo, de questões optativas, com o grau de facilidade das mesmas e com a decisão de que só seriam contadas as respostas com melhores resultados, levando a que alunos com respostas incompletas ou totalmente erradas vissem as mesmas desconsideradas da avaliação, permitindo obter classificações mais elevadas do que num exame de anos letivos anteriores, em que as perguntas eram praticamente, senão todas, obrigatórias. O objetivo passa, portanto, pela mesma elaboração de questões opcionais, tendo, no entanto, estas perguntas um suposto tipo de dificuldade superior, exigindo um maior raciocínio e esforço por parte do realizador da prova.



Ninguém coloca em causa o potencial de inflação de notas que, não só as avaliações internas, como também os exames podem ter, contribuindo para reforçar desigualdades entre os que possuem recursos para além das aulas para estudar e aqueles que necessitam de se cingir aos conteúdos trabalhados na escola. Não era preciso, aliás, suceder esta pandemia para se entender que o sistema de ensino e o modo de acesso ao ensino superior, da forma como estão pensados, têm fragilidades no que concerne aos resultados materiais e de aprendizagem que os alunos alcançam. Sem embargo disto, levanta-se, porém, uma interrogação tão ou mais relevante que a da dificuldade das perguntas ou da prova no geral: este aumento de dificuldade será acompanhado de estratégias e recursos para que os alunos consigam alcançar os resultados esperados? Ou, por outras palavras, independentemente da pandemia, mas também devido ao seu impacto na vida de todos, existirá tempo, pessoas, instrumentos e pedagogias diversificadas para colmatar os efeitos deste impacto e possibilitar que os estudantes estejam à altura da nova prova?

A intenção deste texto não integra a discussão sobre a existência ou peso dos exames; o que se pretende, sim, é compreender se, existindo eles e uma possível vontade em querer torná-los mais exigentes, haverá igualmente espaço para uma aprendizagem de conceitos e hábitos de estudo que condiga com tal acréscimo de dificuldade. Gostaria, por isso, de deixar este pensamento, apelando a uma maior reflexão, por parte do IAVE e dos restantes agentes educativos, relativamente a este assunto, designadamente na tentativa de contrariar a frequente tomada de decisões sem consideração efetiva de contextos e opiniões daqueles que por elas são afetados.

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Este texto faz parte de uma série de textos de opinião de alunos do ensino secundário e superior sobre a sua visão do ensino e da educação.

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