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O mau da Universidade é a saudade. É o estar longe da família, dos amigos, de casa. O mau da Universidade é a pressão, o trabalho, o desconhecido e todo o medo que se estende atrás dele. O bom da Universidade, por incrível que pareça, é exatamente o mesmo. A saudade. Pela família que aqui fazemos, pelo lar que esta cidade se torna. Pela pessoa que podes ser. O bom da Universidade é a pressão, o trabalho, o sentimento ao saber que estudamos o que nós gostamos, para um dia trabalhar no que queremos. O medo do desconhecido é a melhor coisa. Quando chegamos, Coimbra recebe-nos de braços abertos. O medo desaparece.

Coimbra não é mais um papão desconhecido, a cidade das tradições que as pessoas de fora tendem a desvalorizar. Coimbra abraça-nos a todos como um só. Cantamos juntos, festejamos juntos. Gritamos juntos. Pelo nosso curso. Porque “Coimbra é nossa”. Porque somos jovens estudantes sem qualquer noção. E tu, Coimbra, que belo trabalho que fizeste! Deste-nos tudo sem pedir nada em troca. E de ti levo tudo. Levo tudo comigo para onde quer que vá. Levo as tardes passadas ao sol. Os jantares a cantar que estremecem a casa. As aulas e cafés. As vezes que cantámos até ficar roucos. Ainda faltam dois anos para tudo acabar. Que passam num piscar de olhos, desde o primeiro dia de t-shirt de caloiro até ao traçar da capa negra de saudade.



O bom da Universidade é as pessoas que ficam. As amizades que me sustentam quando choro porque a praxe acaba, ou porque sinto Coimbra com tanta força que não peço mais nada sem ser estar contigo. É a Cabra lá em cima, é a faculdade descolorida do sol, o Mondego que parece brilhar. O Mondego. Que chora connosco quando o ano termina, rejubila connosco quando nos batiza, que já viu anos de paixão e tradição. É a velha Sé. É a multidão de negro. O fado. O fado de Coimbra, aquele que nos faz chorar de nostalgia, sem sequer precisarmos de ir embora.

Obrigado Coimbra, por me pores debaixo do teu braço e deixares-me viver em ti. Sem questionares. Sem hesitares. Agradeço por todas as pessoas a quem fizeste o mesmo. Em dois anos, irei voltar as costas, mas nunca te irei abandonar. Essa é a tua beleza. A tua intemporalidade. A tua vividez. A tua aura. Quem estuda aqui, percebe tudo. Quem te ama, jamais te conseguirá deixar.

Li uma vez que o sol de Coimbra é diferente do sol do resto do mundo. Não é só o sol.

A frase “o sol de Coimbra é diferente do sol do resto do mundo” é do escritor Pedro Rodrigues utilizada no seu texto “Coimbra dos amores, Coimbra dos doutores: obrigado“.

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Este texto faz parte de uma nova série de textos de opinião de alunos do ensino secundário e superior sobre a sua visão do ensino e da educação.

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