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No final do ano letivo anterior, e após um certo período de deliberação, tomei a decisão de ter aquela que seria uma das experiências mais marcantes da minha vida: estudar durante um semestre no estrangeiro, ao abrigo do programa Erasmus.

Depois da reação inicialmente opositora dos meus pais, eles acabaram por me conceder este desejo, cientes de que era algo que eu queria realmente concretizar. Já tinha ouvido falar de várias experiências Erasmus, tanto de pessoas que foram estudar para fora como de outras que vieram estudar para a minha universidade. É basicamente um período de estudos num país estrangeiro, ter aulas numa outra língua e conhecer pessoas novas, certo? Esta era a minha conceção do que era uma mobilidade Erasmus, com base naquilo que sabia ou, pelo menos, pensava saber. Eu só vim a descobrir quão errado eu estava ao longo da minha experiência pessoal.



Ansioso para descobrir aquilo que me esperava em Espanha, e depois de completar todo o processo burocrático que me competia, fiz as malas e embarquei na minha aventura que teve início em setembro do ano passado.

Os primeiros dias foram um misto de euforia, medo e insegurança; tudo era absolutamente novo e havia tanto para explorar! Encontrava-me num país estrangeiro em que iria ficar quase 5 meses. Nunca tinha ficado tão longe da casa dos meus pais e durante tanto tempo; as possibilidades eram infinitas e a minha mente andava a mil à hora. Dei os primeiros passos, fiz as primeiras amizades, comi as primeiras refeições e tive as primeiras aulas neste ambiente novo. Adotei novos rituais e comportamentos, característicos da minha vida mais autónoma daí em diante, aos quais tive de me acostumar aos poucos, entre os quais: colocar alarmes para acordar cedo e ir às aulas de manhã, lavar a roupa e secá-la, comprar e renovar passes para os transportes e informar-me dos horários dos serviços da universidade a que pretendia recorrer e de prazos importantes.

Dada a quantidade de mudanças e de coisas novas na minha nova vida, foi necessário um determinado período de tempo para me habituar a tudo. Não obstante, o ânimo, entusiasmo e espírito aventureiro permitiram-me enfrentar todos os obstáculos e desafios com que me fui deparando não só no princípio, como também ao longo das semanas e meses seguintes. O meu círculo de amizades foi crescendo e sendo constituído por indivíduos maravilhosos das mais diversas origens socioculturais e com experiências de vida e formas de pensar, vestir e ser tão distintas. No entanto, apesar de todas as nossas diferenças individuais, em cada convívio havia um sentimento de união que ultrapassava qualquer característica cultural que nos separava. Éramos todos seres humanos que decidiram aventurar-se no desconhecido e criaram laços para que os desafios de todos se tornassem mais fáceis. Porque a interação social é uma necessidade básica do ser humano: é importante sentirmos que pertencemos a um grupo que nos compreende e gosta de nós.

A dada altura, passei a sentir-me verdadeiramente em casa, como se tudo à minha volta fizesse sentido. Num momento, tinha saído da minha zona de conforto e, no próximo, estava rodeado de pessoas que tinham ganho a minha confiança, com as quais sabia que podia contar, num lugar seguro e estava a meio de uma experiência única. Foi exatamente aí que soube que tinha tomado a decisão adequada.

O tempo foi passando e, quando dei por mim, o meu período de Erasmus já estava a terminar. Entre choros e após várias despedidas de pessoas que, em tão pouco tempo, se tornaram nos meus amigos mais chegados ao longo de toda esta experiência, regressei a casa com um sentimento agridoce. Por um lado, nem sequer sabia se iria alguma vez voltar a ver aquelas pessoas que tive o prazer de conhecer ou se me tinha despedido delas definitivamente. Contudo, e por outro lado, trouxe comigo uma bagagem cheia e rica em memórias inesquecíveis, aprendizagens maravilhosas que contribuíram para o meu desenvolvimento e enriquecimento pessoal e imensos objetivos cumpridos.

Voltei com uma vontade acrescida de viajar, uma outra maturidade, uma mente mais aberta e, acima de tudo, com a certeza de que tudo tinha valido a pena e na esperança de poder voltar, no futuro, a Valência, e sentir nostalgia daqueles que foram vários dos momentos mais lindos da minha vida!

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Este texto faz parte de uma série de textos de opinião de alunos do ensino secundário e superior sobre a sua visão do ensino e da educação.

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