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A minha escolha no que toca à universidade que iria frequentar mal acabasse o ensino secundário foi bastante simples.

As minhas amigas mais velhas estavam todas na mesma instituição e como tudo o que ouvia me parecia incrível, inscrevi-me. Sabia que entrava garantidamente então não estava muito preocupada. Claro que as minhas expectativas aliadas às histórias que me contavam pintaram aquela universidade como a melhor do mundo.

Parecia A escolha acertada, quando a confirmação que tinha entrado chegou por e-mail tive a certeza.



Os primeiros dias foram muito à deriva, acredito que todos os outros caloiros que tinham ido para o mesmo que eu, se sentissem como eu, ainda por cima tão longe de casa. Consegui, no entanto, relacionar-me com pessoas e criar algumas ligações.

Os dias foram passando e cada vez me sentia mas à parte, mesmo fazendo parte do grande grupo, sentia-me como se estivesse numa bolha e não fizesse parte de tudo o que estava acontecer à minha volta. Os nervos começaram a apoderar-se de mim, e não conseguia dormir. Os meus pais demonstravam-se cada vez mais preocupados, por estarem distantes de mim, por verem que eu não estava a aproveitar o meu sonho da maneira que eu tinha expectado e que eles tinham expectado.

Foi aí que decidi juntar-me à praxe, a meu ver ia ser a minha porta de entrada para a integração e para a criação de novas amizades. Esta prática revelou-se muito aquém do que esperava, não desgostei da praxe mas não posso dizer que adorei. Comecei a questionar tudo aquilo que tinha ouvido sobre aquela universidade, onde estaria o espirito acolhedor de que falavam, onde estava a cooperação de que falavam? Não a vi. Talvez as expectativas tivessem sido as minhas inimigas.

Tornou-se insustentável para mim, tanto que tive de parar um momento para pensar. 

Será que é isto que quero? 

Esta questão vagueou na minha cabeça semanas e semanas, e questionei-me sobre tudo. Será que eu queria mesmo ter ido para a universidade ou terá sido apenas a pressão social que gira à volta de todos nós estudantes, que queria que eu fosse? Esse período fez-me duvidar mesmo até do que eu sabia que queria e sim eu queria mesmo estudar e não era isso que me ia fazer desistir.

E foi aí que decidi mudar de universidade e de curso, o processo não foi fácil mas encarei-o com outro ânimo. A entrada na terceira fase assustava-me mas assustava-me ainda mais ter uma má experiencia académica. Candidatei-me então para uma instituição privada perto de casa, que revelou ter um custo mais suportável do que a anterior visto que não tinha uma habitação e despesas a mais para suportar.

E comecei a ver tudo de outra forma, adoro o curso em que estou agora, “sinto-me dentro da bolha”. Decidi também frequentar a praxe novamente mas apercebi-me que não era para mim. – E não tenham medo de admitir que a praxe ou outra coisa qualquer, não é para vocês, somos todos diferentes e não toleramos todos as mesmas coisas. Não fazer parte da praxe não vai excluir-vos. Experimentem a praxe e tirem as vossas conclusões antes de qualquer julgamento. 

Precisei de ambas as experiências para saber o que realmente queria e o que não queria. Pensei muito, stressei muito e fiz muita introspeção, mas valeu a pena.

Quero dizer-vos que não estão sozinhos, falem com os vossos pais, partilhem as vossas inseguranças. Eles mais que ninguém serão os primeiros a tentar ajudar-vos a ultrapassar todas as dificuldades que terão durante a vida académica, não se esqueçam, eles já têm experiência acrescida. 

Se não se sentem bem na vossa instituição falem, mudem, frequentem a praxe ou não frequentem a praxe mas testem-se a vocês próprios pois só assim saberão o melhor para vocês.

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Este texto faz parte de uma série de textos de opinião de alunos do ensino secundário e superior sobre a sua visão do ensino e da educação.

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