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Quando andava no terceiro ano da licenciatura, deparei-me com o início de uma nova realidade, o aparecimento do Covid-19. O meu semestre acabava por ficar marcado por aulas em regime remoto e com alguns desafios, tanto para os docentes como para os alunos. No início, tanto o ensino superior como o secundário atravessaram um grande período de incertezas e dificuldades para adaptarem as aulas e as avaliações, ao regime online, de forma a não prejudicarem ninguém.

Esta experiência conseguiu pôr à prova as intuições, os alunos e sem sombra de dúvidas, o mundo. A aprendizagem remota já era implementada em várias faculdades e escolas, até mesmo em muitas empresas, porém esta necessidade de adaptação ao mundo no estado de pandemia trouxe-nos uma grande necessidade de nos adequarmos às circunstâncias. Assim, tanto no núcleo familiar como no núcleo social assistimos fortes transformações no que diz respeito às sociabilidades.

É no ponto das sociabilidades que acho particularmente interessante refletir. Acabamos por compreender que o mundo virtual onde vivemos atualmente é fruto da tentativa do ser humano se conectar, comunicar  e conviver de forma distinta, desde as suas origens mais remotas- penso que este processo passa por uma adaptação contante do Homem a todas os momentos divergentes da sua vida . Este mundo interligado da web e das novas tecnologias é a prova de que os ser humanos tem conseguido arranjar novas oportunidades quando elas não existem.

Recordo-me que no terceiro ano da licenciatura em História, tive uma cadeira, História Económica e Social na Época Contemporânea, que capacitava os alunos a refletirem sobre a evolução dos grandes momentos de mudança a nível económico e social. Talvez se atentarmos no passado histórico consigamos compreender que nos momentos de crise todo o ser humano tende a adaptar-se e a contornar a situação. Acho que é neste espírito que todos nós devemos engrenar, tentando aceitar as mudanças, mas também encarando o futuro.

 E agora interrogamo-nos sobre a relação  desta  reflexão com o futuro dos estudantes? A resposta está em duas frentes: a dos estudantes, que precisam de se reinventar apostando nas novas formas de sociabilidade e de capacidades pessoais, para se destacarem num mundo pós-covid. A segunda frente está ligada às instituições de poder, ensino e trabalho que tendem a imiscuir-se desta nova geração pós pandemia e que acabam por pedir mais do que aquilo que verdadeiramente podem oferecer a um jovem licenciado.

Por fim, o nosso papel deve ir ao encontro das realidades sociais, encarando esta verdade que nos afasta dos amigos, dos colegas de trabalho deve ser um dos pontos que temos de inserir no nosso momento de autorreflexão. Quando tivermos refletido sobre qual será o nosso lugar neste novo mundo pós pandemia, certamente estaremos aptos para enfrentar os novos desafios societários presentes num mundo cada vez mais digital e menos humano.

Ao encararmos esse novo mundo “normal” será simples perante os nossos olhos aceitar  estas mudanças de hábitos e comportamentos. Nesse momento talvez seja o tempo de falarmos de “Um Adeus ao Covid”, com horizontes mais sorridentes para os estudantes recém licenciados e para toda a sociedade. 

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Este texto faz parte de uma série de textos de opinião de alunos do ensino secundário e superior sobre a sua visão do ensino e da educação.

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