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Um pouco sobre a licenciatura: Tecnologia e Produto de Moda Sustentável


Estamos em fase de exames nacionais. Para muitos alunos, é altura de se fazerem escolhas sobre o seu futuro. Seguramente, muitos ainda estão indecisos sobre que área seguir no ensino superior. E, com a grande quantidade de ofertas formativas disponíveis, é normal que grande parte delas não sejam eficientemente divulgadas, ou então sejam ignoradas por não serem as ditas “convencionais”. Dos muitos cursos não conhecidos em Portugal, TPMS – Tecnologia e Produto de Moda Sustentável, é um ótimo exemplo disso.

Esta licenciatura surgiu no ano letivo presente – 2022/2023 – na UBI – Universidade da Beira Interior. A sua formação incide, resumidamente, na formação de alunos que fiquem com conhecimentos das áreas da engenharia têxtil e do design de moda, a fim de fazerem uma “ponte” entre os dois mundos. Inicialmente, antes de me informar sobre o plano de estudos e saídas profissionais, também tive preconceitos relativamente ao curso. Entretanto, após ler toda a informação disponível, percebi que era a que preenchia na totalidade as minhas áreas de interesse e que devia arriscar apesar dos receios normais de quem arrisca num curso novo. Tal como eu, deve haver por aí gente que gostaria de trabalhar nesta área, mas simplesmente não conhece o curso. Assim, com base em pesquisa e na minha experiência ao longo do ano letivo, deixo alguns factos e curiosidades sobre Tecnologia e Produto de Moda Sustentável:

  1. É inovador – uma das coisas que me atraiu é que é o primeiro e único curso do país, até à data, a interligar estas duas áreas. Recentemente descobri que no estrangeiro já existem cursos do género, como por exemplo Textile Technology (Tecnologia têxtil) na Gaston College (EUA).
  2. Empregabilidade – TPMS foi criada não para “ser só mais uma” mas sim para resolver o problema das empresas têxteis da falta de profissionais que tenham o conhecimento que a licenciatura abrange.
  3. Abrangência de saídas profissionais – Como técnico/as têxteis, algumas das possíveis áreas em que poderemos trabalhar são: desenvolvimento de vestuário ou produtos têxteis (como tecidos e malhas); ser responsáveis por desenvolver e apresentar soluções que tornem a produção nas empresas mais sustentável; controlo de qualidade e planeamento da linha de produção nas fábricas têxteis. Além disso, nada nos impede de acabarmos a licenciatura e seguir num mestrado de engenharia têxtil, design de moda ou até mesmo outro, para aprofundar conhecimentos e melhorar competências
  4. Relação da UBI com a indústria têxtil – A UBI está localizada na Covilhã cidade da lã – tendo uma ligação de séculos com a indústria de lanifícios. A UBI foi desenvolvida sobre antigas fábricas têxteis e um dos dois primeiros cursos a abrir quando a UBI ainda era um politécnico foi Engenharia Têxtil, em 1975. Além disso, a zona da Covilhã está repleta de empresas do setor, como por exemplo a Twintex, Paulo de Oliveira, J. Gomes, Fitecom, Burel Factory, entre muitas outras.
  5. Faculdade a que pertence – TPMS está inserida no DCTT – Departamento de Ciência e Tecnologias Têxteis – que pertence à Faculdade de Engenharias da UBI.
  6. Equipamento – O DCTT têm uma “mini fábrica” no polo principal, estando portanto equipado com várias máquinas e equipamentos que nos permite enquanto alunos pôr em prática a teoria que aprendemos.
  7. Não é engenharia têxtil! – Apesar de grande parte do programa curricular ter cadeiras como química têxtil, tinturaria, fiação, tecelagem ou estamparia, não temos cadeiras basilares das engenharias como álgebra, cálculo ou programação. A única matemática que temos é relacionada com estatística e probabilidades.
  8. Não, não é outro design de moda! – É verdade que termos cadeiras relacionadas com a design de moda, como: modelagem de vestuário 3D desenvolvida em computador, tecnologia da confeção ou projeto de coleção de malhas, tecidos e vestuário. No entanto, não temos cadeiras essenciais e características do curso de design de moda, como por exemplo história da arte e do design, história da moda, ilustração, marketing ou cadeiras que envolvam a psicologia da área.
  9. E não, não é uma versão de design de moda sustentável! – tantas vezes que ouvi isto! Além do que já referi, e apesar de TPMS ter a sua base na aplicação dos princípios da sustentabilidade, também o curso de design de moda (pelo menos no caso da UBI) incute esses princípios.
  10. Bolsa de estudos – no caso deste ano, e seguramente no próximo, foram-nos oferecidas bolsas que cobrem o valor das propinas.

Espero que este artigo dê a conhecer um pouco mais do curso. Até porque a Covilhã é um ótimo sítio para se estudar! Para mais informações podem visitar o site da UBI que têm o plano de estudos com a descrição das cadeiras ao longo dos três anos.

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Este texto faz parte de uma série de textos de opinião de alunos do ensino secundário e superior sobre a sua visão do ensino e da educação.

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