Quero pertencer a algo maior.

Foi este o pensamento com que me deparei durante o meu segundo ano. Sentia que queria, podia e devia fazer mais. A monótona rotina do exercício estudantil era-me caótica. Mas que caminho poderia seguir? O futuro era uma vaga incerteza. Nada mais.

Na vastidão de questões, uma se sobrepôs. Encontrou-me quando ainda não a procurava. Tive sorte, confesso. Não encontrei uma resposta. Uma questão era tudo o que precisava. Uma questão para dividir em duas. E depois em quatro. Usá-las como escada e encontrar o tal algo sem nome.

Guiado por amigos, o sem nome ganhou-o: associativismo.



Conquistaram-me. Eles, já envolvidos na AEPUM, falavam com entusiasmo sobre temas fascinantes, aos quais acenava com a cabeça sem saber o que significavam. Era um novo mundo. Um ao qual queria pertencer. Um de que me orgulho de puder dizer “Faço parte”!

Orgulho-me porque o associativismo é crescer. É crescer para o outro. É crescer com o outro.

Muitos me perguntam: – É vantajoso?

Eu respondo: – É-te vantajoso respirar? Porque é isso que o associativismo é. É inspirar através dos e-mails e das reuniões e de expirar em conferências e em workshops. E, por fim, inspiramos novamente: desta feita, os sorrisos que trouxemos ao mundo. É partilha. É conquista. É partilha da conquista!

Mas as perguntas não se ficam por aqui: – Não atrapalha os estudos?

E eu respondo: – Os pés atrapalham-te para andar? O associativismo não nos retira nada. Oferece-nos. Ganhamos ferramentas inqualificáveis que nos preparam para a colmatação da infindável ignorância. Mas atenção: Não vos vou mentir. Requer esforço, dedicação e empenho. Requer algo de ti. Apenas para no fim te dar tudo.

Segue-se a pergunta silenciosa. O olhar que pergunta sem a boca falar. É quando eu digo: – O associativismo cria-nos o ambiente perfeito para nos polirmos. Para limarmos as arestas que sempre quisemos ver brilhar. Como? Conhecemos pessoas da nossa universidade e do país inteiro. Conhecemo-nos a nós mesmos! Mostra-nos o que é trabalho de equipa. Faz-nos refletir sobre as nossas acções – debatemos, contrapomos e cedemos. Mostra-nos as portas do mundo, onde antes víamos apenas uma janela.

E nós, sem darmos conta, passamos a não pertencer à associação. Somos um pedaço da associação. Somos parte de algo. E esse algo é uma extensão de nós próprios.

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Este texto faz parte de uma nova série de textos de opinião de alunos do ensino secundário e superior sobre a sua visão do ensino e da educação.

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