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Os alunos da Universidade de Aveiro receberam há 2 horas um comunicado a da reitoria a adiar o início da época de exames previsto para a próxima segunda-feira. O Conselho de Reitores das Universidades Portuguesas (CRUP) vai propôr ao Ministério do Ensino Superior fazer mudanças ao calendário do ano lectivo, em resposta à evolução da pandemia. Os exames que estão a decorrer também podem ser adiados.

“Sem prejuízo do previsto no Plano de Prevenção e Atuação Face à COVID-19 da Universidade de Aveiro determina-se: o adiamento da data de início da época normal de exames para o dia 8 de fevereiro de 2021; a correspondente reprogramação do calendário de exames (época normal e época de recurso); a reprogramação do calendário escolar do 2.º semestre.” São estas as decisões tomadas pela Universidade de Aveiro hoje e comunicadas aos alunos via e-mail há 2 horas. A época normal de exames estava prevista iniciar na próxima segunda-feira.



Um dos motivos para que o ensino superior tenha continuado em funcionamento durante o novo confinamento prende-se com o facto estar a decorrer o período de avaliações relativas ao 1.º semestre nas maioria das universidades. Por isso, na generalidade das instituições não há aulas, apenas exames, o que reduz o número de pessoas nas instalações. Na maioria dos casos, a 1.ª chamada das provas já foi até finalizada ou ficará concluída esta semana.

Por isso, “os alunos que concluíram todos os exames vão estar em casa nas próximas semanas, até recomeçarem as aulas”, contextualiza o presidente do CRUP, António Sousa Pereira, ao jornal Público. Quem não foi aprovado terá exames de recurso, “mas o número de estudantes é mais reduzidos”. O também reitor da Universidade do Porto – que é médico de formação – entende que o ensino superior tem condições para continuar em funcionamento. No entanto, diz compreender “que com a situação de calamidade que se instalou no país, haja a tentação de fechar tudo”.

O CRUP está a trabalhar num plano alternativo, que quer apresentar nos próximos dias, “sem esperar pela próxima reunião do Infarmed”. As soluções estão a ser consensualizadas com o Ministério da Ciência e Ensino Superior. A intenção é emitir um conjunto de orientações, que cada universidade possa adaptar à sua realidade específica e ao seu próprio calendário académico, que é diferente de instituição para instituição.

As duas medidas centrais deste plano são complementares. Por um lado, os reitores admitem que os exames que ainda não tenham sido realizados sejam “adiados para a quando a situação pandémica permitir” a sua realização. O início das aulas do 2ª semestre seria antecipado para o final deste mês, duas a três semanas antes do que estava previsto. As aulas seriam leccionadas à distância, tal como aconteceu no ano passado.

“Não nos parece propriamente muito boa ideia fechar as universidades e deixar os estudantes sem aulas e sem exames”, justifica António Sousa Pereira. A antecipação do reinício das aulas serviria assim para evitar que, sem terem que estudar, os jovens acabassem por se juntar em momentos de convívios. A excepção a estas mudanças seriam os exames que já estava previsto serem realizados à distância e que manteriam o calendário original.

O Conselho Coordenador dos Institutos Superiores Politécnicos ainda não analisou a situação, mas o seu presidente, Pedro Dominguinhos, mostra “abertura” para uma “alteração de medidas em resultado deste crescimento significativo” do número de casos de covid-19 nos últimos dias em todo o país.

A transição para um regime de ensino à distância “não é o desejável”, sublinha aquele responsável, mas não seria uma novidade para o sector: “Se tiver que ser feito, fá-lo-emos sem problemas, tal como no ano passado, em que tivemos já um número significativo de disciplinas e as avaliações a acontecer à distância.”