Os alunos portugueses do ensino superior estão no topo dos estudantes europeus com mais horas de aula por semana.

O excesso de carga horária pode ajudar a explicar que sejam tão poucos os alunos do ensino superior que conseguem estudar e trabalhar ao mesmo tempo.

Segundo a TSF, o Inquérito às Condições Socioeconómicas dos Estudantes do Ensino Superior em Portugal (sobre alunos de licenciaturas e mestrados), revela que apenas 22,3% têm um trabalho regular durante todo o ano letivo, com mais 8% a terem um trabalho de forma ocasional.



Susana Martins, do Centro de Investigação de Estudos de Sociologia do ISCTE, adianta que os números anteriores são muito baixos quando comparados com o que acontece noutros países europeus, limitando a diversificação de experiências dos alunos e até a sua autonomização em relação às famílias, ajudando a pagar as despesas.

São pouco comuns, mas a maioria dos trabalhadores-estudantes são pessoas que já têm uma carreira profissional e que decidiram estudar, e não estudantes que procuram um emprego para ter um rendimento extra. Neste cenário, o aluno é penalizado no ano seguinte se quiser pedir uma bolsa de estudo, algo que agrava a situação.

A TSF realça que não é por acaso que em Portugal a maioria dos trabalhadores-estudantes se autoidentificam preferencialmente como trabalhadores e não como estudantes.

A investigadora destaca duas razões principais para a falta de trabalhadores-estudantes: a falta de flexibilidade do mercado de trabalho e a forma como o ensino está organizado, nomeadamente o calendário escolar e o “muito tempo em sala de aula”.

Para Susana Martins, este excesso de carga horária “impede que existam mais estudantes que consigam conciliar trabalhos em part-time com a formação superior”.

Em média, por semana, os alunos do ensino superior têm 21 horas de aulas, fazendo de Portugal um dos países europeus com mais aulas. A média europeia é de apenas 17 horas – na Suécia, por exemplo, a média é de 10 horas.

Se ao tempo de aulas acrescentarmos ainda o tempo de estudo, um aluno do ensino superior gasta, em média, 46 horas em atividades letivas e de estudo por semana.