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A crise pandémica contribuiu para um aumento de carências por parte de alunos do Instituto Politécnico de Bragança (IPB), quer de bens alimentares, quer de roupas. Para colmatar esses problemas foi criado o Banco de Alimentos e Roupas através do Programa de Voluntariado do IPB, uma iniciativa lançada pela primeira vez este ano, mas que não pode contar com as recolhas feira durante a “Praxe Solidária”, como nos anos anteriores, que permitia reunir alimentos para apoiar os alunos que deles precisam.

Até à próxima sexta-feira decorre a campanha de recolha de alimentos e roupas, que podem ser depositados em caixas devidamente identificadas que estão instaladas nas cinco escolas superiores que fazem parte do Politécnico e, ainda, em diferentes serviços do campus académico. “A praxe solidária reunia estes géneros mas este ano não foi possível realizar a praxe e lançamos esta iniciativa. Estamos a contar que haja mais necessidades e carências por parte dos alunos”, explicou o Padre Fernando Calado, capelão do IPB.



Na primeira vaga da pandemia foram apoiados mais de 100 estudantes, mas tudo indica que este número pode aumentar durante a segunda vaga. “Muitos estudantes complementavam os seus rendimentos com trabalho em diversos locais e agora não estão a conseguir colocar-se e, também, temos muitos alunos cujos pais perderam o emprego por causa da pandemia. Viram os rendimentos serem reduzidos e por isso estamos a contar que haja mais pedidos”, afirmou o capelão, admitindo que “há situações dramáticas na comunidade académica”.

Há vários tipos de carências. “Desde pais de alunos estrangeiros que têm dificuldades em colocar cá dinheiro, apesar de não terem dificuldades não conseguem enviar dinheiro, pais que perderam ambos o emprego, atrasos com a questão da atribuição das bolsas no início do ano e muitas vezes temos que adiantar a bolsa”, acrescentou Fernando Calado. Há ainda alguns casos de pobreza envergonhada, com alunos que têm carências, mas não as revelam e, por isso, durante a formação dos voluntários um dos aspetos trabalhados é que estes estejam muito atentos aos colegas e a sinais que demonstrem que eles estão com dificuldades.

A covid-19 contribuiu também para menos alunos terem disponibilidade para voluntários neste projeto, por terem medo de ficar infetados. “Tivemos alguma dificuldade em encontrar voluntários. Nos anos anteriores tínhamos uns 70 ou 80 voluntários que distribuíamos por outras instituições da cidade, como IPSS, culturais ou do bens estar animal e de proteção da natureza, mas este ano todas elas ou quase rejeitaram acolher voluntários. Este ano não chegamos às duas dezenas de voluntários e por isso vamos investir no voluntariado interno. Muitos alunos têm receio de contrair a doença por aumentarem o contacto com outras pessoas. Tivemos muitas desistências, mesmo de pessoas que já se tinham inscrito e uma das razões que mais apontam é que o pais lhe dizem para não fazer voluntariado para reduzir os contactos”, Fernando Calado.

O presidente da Associação Académica, Hugo Nobre, reconhece que este ano há mais estudantes com dificuldades, agravadas pela pandemia provocada pelo novo coronavírus.

“São carências alimentares, roupas e utensílios de cozinha. Tentamos dar resposta”, sublinha.