Redes Sociais proibidas a menores de 16? Parlamento aprova proposta, mas o debate continua

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O projeto-lei do PSD que pretende limitar o acesso de menores de 16 anos a redes sociais como Instagram ou TikTok foi aprovado na Assembleia da República. No entanto, o texto ainda vai sofrer alterações antes de se tornar lei definitiva.

Se tens menos de 16 anos e não passas um dia sem fazer scroll no Instagram ou no TikTok, as regras do jogo podem estar prestes a mudar em Portugal. O Parlamento aprovou recentemente, na generalidade, uma proposta que fixa os 16 anos como a idade mínima para o acesso autónomo a redes sociais e plataformas de partilha de vídeo.

 

Apesar da aprovação, o tema está longe de ser consensual e o documento baixou à comissão especializada para ser “aperfeiçoado”, devido a dúvidas sobre a proteção de dados e a eficácia do controlo.

No que consiste a proposta?

A ideia central do PSD é elevar a “idade mínima digital”. Atualmente, a lei permite o acesso a partir dos 13 anos, mas sem mecanismos reais de controlo. A nova proposta estabelece que:

  • Abaixo dos 13 anos: O acesso continua proibido.
  • Entre os 13 e os 16 anos: O acesso só é permitido com consentimento parental expresso e verificado.
  • A partir dos 16 anos: O acesso é livre e autónomo.

Atenção: Esta limitação aplica-se a redes como Facebook, Instagram ou TikTok, mas não abrange o WhatsApp nem plataformas com fins educativos ou de saúde.

 

Como será feita a verificação?

Este é um dos pontos mais polémicos. Para garantir que a lei é cumprida, a proposta sugere que a confirmação da idade seja feita através da Chave Móvel Digital. Isto significa que, para criar ou manter uma conta, terias de usar o sistema de autenticação do Estado para provar que tens a idade necessária ou que os teus pais autorizaram o acesso.

As plataformas que não cumprirem estas regras de verificação arriscam-se a multas pesadas, que podem chegar aos 2 milhões de euros ou 2% do seu volume de negócios anual.

O debate: Proteção vs. Liberdade

Embora todos os partidos concordem que as redes sociais apresentam riscos (vício, saúde mental, exposição a conteúdos impróprios), não houve acordo sobre a forma de os combater:

 
  • A favor (PSD, PS, PAN, JPP): Defendem que é necessário harmonizar Portugal com outros países europeus e proteger o desenvolvimento cognitivo dos jovens.
  • Contra (Chega, Iniciativa Liberal): Argumentam que esta decisão deve pertencer às famílias e não ao Estado, acusando a medida de ser uma forma de censura ou de “estatismo”.
  • Abstenções (BE, PCP, Livre, CDS-PP): Levantaram dúvidas sobre a privacidade dos dados e a eficácia técnica da medida.

Críticas e o “efeito proibição”

Especialistas como Tito de Morais (do projeto MiúdosSegurosNa.Net) alertam que a proibição pode ter efeitos perversos. Além de poder isolar jovens de minorias que encontram nas redes um espaço de pertença, existe o risco de os jovens usarem VPNs ou outros métodos criativos para contornar o bloqueio. “O proibido é sempre mais atraente”, lembram os críticos, defendendo que o foco deveria estar na educação digital e na regulação dos algoritmos, em vez da interdição.

O que acontece agora?

A proposta não entra em vigor imediatamente. O texto vai agora ser discutido “na especialidade”, onde os deputados podem sugerir alterações e tentar resolver os problemas técnicos detetados, nomeadamente como garantir a privacidade ao usar a Chave Móvel Digital.

Portugal segue assim a tendência de países como a Austrália (que baniu o acesso a menores de 16 em 2024), a França e a Noruega, que também estão a endurecer as regras para os mais novos no mundo digital.