Com a chegada de um novo ano, muitos estudantes sentem a necessidade de mudar a forma como estudam. Nem sempre porque estudam pouco, mas porque estudar muito já não significa, necessariamente, aprender melhor. Entre aulas, trabalhos, exames e vida pessoal, torna‑se essencial apostar em métodos de estudo mais eficazes, sustentáveis e adaptados à forma como o cérebro aprende.
Mais do que seguir modas ou técnicas milagrosas, faz sentido experimentar métodos com base científica e aplicáveis à realidade de quem estuda. Estes são alguns dos métodos de estudo que realmente fazem sentido testar este ano.
1. Recordação Ativa (Active Recall)
O primeiro é o active recall, ou recordação ativa. Ao contrário da releitura passiva dos apontamentos, este método obriga o cérebro a trabalhar ativamente para recuperar a informação. Quando tentas lembrar-te de um conceito sem olhar para os apontamentos, estás a reforçar as ligações neuronais associadas a essa matéria. Na prática, depois de estudares um tema, deves fechar os apontamentos e escrever tudo o que te recordas, responder a perguntas ou explicar o conteúdo em voz alta. Só depois confirmas o que ficou em falta. Este esforço inicial pode parecer mais difícil, mas resulta numa aprendizagem muito mais sólida.
2. Repetição espaçada (Spaced Repetition)
Outro método essencial é a spaced repetition, ou repetição espaçada. Estudar tudo de uma vez pode dar a sensação de produtividade, mas o esquecimento é rápido. A repetição espaçada combate esse problema ao rever a matéria em intervalos de tempo estratégicos, antes que o cérebro a apague por completo. Por exemplo, rever no dia seguinte, depois ao fim de uma semana e novamente algumas semanas mais tarde. Desta forma, cada revisão reforça a memória a longo prazo. Este método é especialmente eficaz quando combinado com flashcards ou ferramentas digitais.
3. Método Feynman
O método Feynman é particularmente útil para perceber se realmente dominas um tema. A ideia é simples: escolher um conceito e explicá-lo como se estivesses a falar com alguém que não percebe nada do assunto. Quando encontras dificuldades em explicar algo de forma simples, isso revela lacunas no teu conhecimento. Essas falhas indicam exatamente onde precisas de voltar a estudar. Este método ajuda a clarificar ideias e a evitar a falsa sensação de aprendizagem.
4. Técnica Pomodoro (com adaptações)
A conhecida técnica Pomodoro continua a ser uma boa aliada do foco, desde que seja adaptada. O princípio base é estudar em blocos de tempo curtos e intensos, intercalados com pausas. Embora o formato clássico seja de 25 minutos de estudo e 5 de pausa, muitos estudantes beneficiam mais de blocos mais longos, como 40 ou 50 minutos, seguidos de pausas curtas. O mais importante é garantir concentração total durante o tempo de estudo e pausas reais, sem culpa.
5. Estudo intercalado (Interleaving)
Outro método menos falado, mas muito eficaz, é o estudo intercalado, conhecido como interleaving. Em vez de dedicar horas seguidas a uma única disciplina, este método propõe alternar entre diferentes matérias ou tipos de exercícios. Essa alternância obriga o cérebro a distinguir conceitos e a aplicar estratégias diferentes, melhorando a retenção e a capacidade de transferência de conhecimento para novas situações.
6. Resumos visuais e mapas mentais
Por fim, os resumos visuais e mapas mentais continuam a ser ferramentas valiosas, sobretudo para organizar grandes volumes de informação. Transformar texto em esquemas, diagramas ou mapas ajuda o cérebro a estruturar melhor os conteúdos e facilita revisões rápidas antes de testes e exames. Mais do que decorar, o objetivo é compreender relações entre ideias.
No final, não existe um método perfeito para todos. O segredo está em experimentar, adaptar e combinar técnicas de acordo com o tipo de disciplina e com a tua forma de aprender. Este ano, o foco deve estar em estudar de forma mais inteligente, consistente e consciente, e não apenas durante mais horas.

