Assembleia da República trava fim das propinas: Todos os projetos rejeitados

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O debate sobre o financiamento do Ensino Superior voltou ao Parlamento, mas nenhuma das propostas — que iam desde a abolição total ao pagamento faseado após o curso — conseguiu luz verde dos deputados.

A participação financeira dos estudantes no Ensino Superior continua a ser um dos temas mais divisivos na política portuguesa. Esta sexta-feira, a Assembleia da República discutiu cinco projetos de lei e dois projetos de resolução focados na redução ou eliminação das propinas, mas o resultado final foi o mesmo para todos: chumbo.

Esquerda unida pelo fim das propinas, mas sem maioria

Bloco de Esquerda (BE), PCP e Livre apresentaram propostas que visavam o fim progressivo ou imediato das propinas, mas esbarraram nos votos contra da direita (PSD, CDS-PP, Chega e IL) e, em vários casos, na abstenção do PS.

  • BE: Propunha o fim das propinas em licenciaturas e mestrados integrados. Foi rejeitado com votos contra da direita e abstenção do PS.
  • PCP: Defendia a eliminação total de propinas, taxas e emolumentos. Rejeitado pela direita, com abstenção socialista.
  • Livre: Sugeria o fim progressivo nas licenciaturas e tetos máximos para mestrados e doutoramentos. Também chumbado pela direita e PS (abstenção).

O modelo alternativo do Chega e a regulação do PS

O Chega apresentou uma proposta diferente: os alunos não pagariam durante o curso, mas apenas quando entrassem no mercado de trabalho de forma estável. No entanto, o projeto foi isolado pelos votos contra de quase todo o arco parlamentar (CDS, PSD, PS, PCP, Livre e PAN), contando apenas com a abstenção da IL.

 

Por sua vez, o PS tentou regulamentar o valor das taxas e emolumentos, mas a proposta foi rejeitada por todos os partidos à direita e também pelo PCP.

O cenário atual: Propinas podem vir a aumentar

Apesar de o Governo (PSD-CDS) já ter manifestado a intenção de descongelar o valor das propinas em setembro de 2026 — subindo o valor atual de 697€ para 710€ —, essa medida específica também não reuniu consenso parlamentar anteriormente.

 

Contudo, a posição dos partidos do Governo mantém-se firme contra a abolição do pagamento por parte dos alunos. O PSD e o CDS-PP votaram contra todas as iniciativas de redução, reforçando a visão de que o financiamento direto dos estudantes deve ser mantido ou até reforçado.

PropostaObjetivo PrincipalResultado
BE / PCP / LivreAbolição gradual ou total das propinasRejeitado (Votos contra da Direita)
ChegaPagamento apenas após entrada no mercado de trabalhoRejeitado (Votos contra de Esquerda e Direita)
PSRegular taxas e emolumentosRejeitado (Votos contra PSD, CDS, CH, IL e PCP)
PAN / PSRecomendações para redução progressivaRejeitado (Votos contra PSD, CDS e IL)

O que significa para ti? Para já, o valor das propinas mantém-se inalterado, mas a porta para a sua abolição gratuita parece estar fechada para a atual legislatura, com o foco político a deslocar-se agora para o possível aumento dos valores a partir de 2026.