Nos últimos anos, Portugal tem assistido a avanços importantes na ciência e no ensino superior. Contudo, por detrás de muitos desses progressos, está um grupo que continua, em grande parte, invisível: os doutorandos. São eles que, nos laboratórios, nas bibliotecas e no terreno, dedicam anos das suas vidas a investigar questões complexas e a gerar conhecimento essencial para o desenvolvimento da ciência no mundo. No entanto, esta dedicação tem sido frequentemente acompanhada de condições precárias, de falta de reconhecimento e de um horizonte profissional cada vez mais incerto.
Enquanto sociedade, temos falhado em valorizar adequadamente quem se encontra no centro da investigação científica. Muitos doutorandos vivem com bolsas que não acompanham o custo de vida, enfrentam a ausência de direitos laborais básicos e veem-se, no final do percurso, confrontados com a instabilidade profissional e a dificuldade em integrar o mercado de trabalho académico ou não académico. Não podemos continuar a ignorar esta realidade.
É neste contexto que surge o Movimento Nacional de Doutorandos (MND), como resposta à necessidade urgente de dar voz a quem tantas vezes é esquecido nos debates sobre ciência e ensino superior. Este movimento não é apenas uma estrutura de reivindicação; é, antes de mais, uma comunidade de doutorandos que se unem para partilhar experiências, expor problemas e construir soluções. Acreditamos que só através da cooperação e da mobilização será possível alterar um sistema que, apesar de se alimentar do trabalho dos doutorandos, ainda não lhes oferece as condições que merecem.
O papel do Movimento Nacional de Doutorandos é, por isso, essencial: atua como uma voz coletiva organizada, mas também como uma rede de apoio, de mobilização e de construção de propostas concretas. Defendemos uma estratégia que assenta em três pilares fundamentais: dar visibilidade às condições reais vividas pelos doutorandos em Portugal, promover o diálogo com instituições e decisores políticos com base em evidência e experiência no terreno, e criar pontes entre doutorandos de diferentes áreas, universidades e contextos sociais. O nosso objetivo é claro: contribuir ativamente para uma política científica mais justa, mais transparente e que valorize verdadeiramente quem está na base da produção de conhecimento.
Defender melhores condições para os doutorandos não é apenas uma questão de justiça social; é também uma questão estratégica para o futuro do país. Se queremos ciência de qualidade, inovação e competitividade internacional, temos de garantir que quem investiga em Portugal tem estabilidade, recursos e perspetivas de carreira. É essa a missão do Movimento Nacional de Doutorandos: lutar por um sistema que valorize o trabalho científico e que reconheça, na prática, o papel insubstituível de quem dedica anos a investigar.
O Movimento Nacional de Doutorandos não é apenas um projeto, é também um apelo. Um apelo à participação, à união e à consciência de que a ciência que queremos para o futuro depende das condições que oferecemos a quem a faz hoje.
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Este texto faz parte de uma série de textos de opinião de alunos do ensino secundário e superior sobre a sua visão do ensino e da educação.
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