Portugal entre os países da UE com menos trabalhadores-estudantes: apenas 12% conciliam emprego e estudos

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Os novos dados do Eurostat revelam que Portugal ocupa o nono lugar no ranking dos países europeus com menor taxa de estudantes integrados no mercado de trabalho. Enquanto a média europeia ultrapassa os 25%, em Portugal a vasta maioria dos jovens dedica-se exclusivamente à formação.

Portugal continua a apresentar uma das taxas mais baixas da União Europeia no que toca à conciliação entre estudos e trabalho. Segundo dados publicados pelo Eurostat relativos a 2024, apenas 12,3% dos jovens portugueses entre os 15 e os 29 anos são trabalhadores-estudantes. Este valor coloca o país significativamente abaixo da média da UE, que se fixa nos 25,4%.

O fosso europeu: dos Países Baixos à Roménia

O cenário europeu revela realidades profundamente distintas. No topo da tabela surgem os Países Baixos, onde uns impressionantes 74,3% dos estudantes trabalham. Seguem-se a Dinamarca (56,4%), a Alemanha (45,8%) e a Finlândia (40,5%), países onde o emprego jovem durante o percurso académico é uma norma cultural e económica.

No extremo oposto, a Roménia regista a taxa mais baixa da Europa, com apenas 2,4% de estudantes empregados. Portugal, com os seus 12,3%, mantém-se em linha com os resultados de 2023, consolidando-se no grupo de países onde a transição para o mercado de trabalho acontece, maioritariamente, apenas após a conclusão dos estudos.

 

O retrato nacional: 84% estão fora do mercado

Em Portugal, a grande maioria dos jovens (84,6%) está totalmente fora do mercado de trabalho — o que significa que não trabalham nem procuram emprego enquanto estudam. Este número é 13,2% superior à média europeia.

No entanto, há uma tendência de crescimento no ensino superior. Nos últimos cinco anos, o número de trabalhadores-estudantes neste nível de ensino aumentou 24%, traduzindo-se em mais de 30 mil alunos com ocupação profissional em 2024. Segundo dirigentes de associações académicas, este aumento não é apenas uma escolha de carreira, mas muitas vezes uma necessidade imposta pelo aumento do custo de vida, nomeadamente no alojamento, alimentação e transportes.

No que toca ao desemprego jovem nesta categoria, 3,2% dos estudantes portugueses afirmam querer trabalhar mas não conseguem encontrar oportunidade, um valor distante dos cerca de 10% registados em países como a Suécia ou a Dinamarca.

A idade e o género como fatores decisivos

O relatório do Eurostat destaca que a disponibilidade para trabalhar aumenta drasticamente com a idade. Entre os 15 e os 19 anos, mais de 70% dos jovens preferem focar-se exclusivamente nos estudos. Contudo, na faixa dos 25 aos 29 anos, apenas cerca de 5% permanecem à margem do mercado laboral.

O género também desempenha um papel relevante. Quando os jovens não estão a estudar, as mulheres apresentam menor probabilidade de estarem empregadas do que os homens. Na faixa etária dos 25 aos 29 anos, 71,9% dos homens que não estudam têm emprego, comparado com 62% das mulheres. Além disso, a percentagem de mulheres que não procura emprego (16,2%) é mais do dobro da dos homens (6,9%) no mesmo grupo.

Estes dados reforçam a existência de barreiras estruturais e culturais em Portugal que ainda dificultam a entrada precoce dos jovens no mundo do trabalho enquanto completam a sua formação académica.