A História está a encolher no currículo escolar e isso tem consequências. O debate esteve no centro do Congresso Internacional das Jornadas em Educação Histórica, que decorreu na Universidade do Minho.
O Instituto de Educação da Universidade do Minho acolheu, nos dias 29, 30 e 31 de janeiro, o Congresso Internacional das Jornadas em Educação Histórica, reunindo investigadores, historiadores, estudantes, formadores de professores e docentes, para refletir sobre o papel da História na sociedade contemporânea. Ao longo de três dias intensos e de muita aprendizagem, o encontro transformou-se num verdadeiro laboratório de Clio, onde passado, presente e futuro estiveram em diálogo.
Discutiu-se o ofício do historiador, a importância da História na construção da identidade individual e coletiva, e o seu contributo para antecipar e compreender cenários futuros, incluindo temas atuais e truculentos. Também se falou da empatia (histórica) – a capacidade de compreender o passado nos seus próprios contextos – como espinha dorsal do ar dos tempos.
Mas o tom não foi apenas académico. Vários intervenientes deixaram alertas claros sobre o lugar cada vez mais frágil da disciplina. A redução dos tempos letivos dedicados à História foi apontada como sinal de desvalorização progressiva. Numa época marcada por desinformação, fake news, ressentimento, questionou-se a (in)coerência de retirar espaço precisamente à área que ensina a analisar fontes, confrontar e comparar versões e contextualizar acontecimentos. Os especialistas ainda lembraram que o pensamento crítico não surge de forma espontânea: aprende-se, treina-se e constrói-se através do contacto orientado com essas mesmas fontes históricas.
Também a formação de professores gerou sururu e preocupação. A concentração dos Mestrados em Ensino de História, sobretudo na região de Lisboa e Norte do país, levantou dúvidas sobre o acesso à formação noutras regiões do retângulo lusitano. Num contexto de falta de docentes, a escassez simultânea de professores e de formadores de professores foi descrita como um total contrassenso. A questão das vagas entrou igualmente no debate: se há carência de professores, que tal reforçar a formação ou aumentar as vagas por curso? Há falta de recursos humanos na universidade, mas mais do que aumentar propinas é necessário passar pelo aumento efetivo dessas vagas.
Não podemos dourar a pílula, menos História significa menos oportunidades para trabalhar pensamento crítico de forma estruturada. O encontro terminou com um apelo ao reconhecimento da História como disciplina fundamental para a democracia e para a formação de cidadãos capazes de ler o mundo, para além do óbvio.
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Este texto faz parte de uma série de textos de opinião de alunos do ensino secundário e superior sobre a sua visão do ensino e da educação.
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