Se estás prestes a terminar a licenciatura, é muito provável que a pergunta “devo seguir para mestrado ou entrar já no mercado de trabalho?” te esteja a passar pela cabeça. Embora a experiência prática seja valorizada, os dados mais recentes mostram que o investimento na formação académica continua a traduzir-se num retorno financeiro direto.
Segundo um recente insight da plataforma Brighter Future, da Fundação Belmiro de Azevedo, a vantagem salarial de quem detém o grau de mestre face aos licenciados não só é real, como tem vindo a acentuar-se de forma expressiva em Portugal.
O “salto” salarial: 1.779€ de salário mediano
Os números de 2023 revelam uma tendência clara para os trabalhadores entre os 25 e os 34 anos: os jovens com mestrado auferem, em média, mais 29% do que os seus colegas que ficaram pela licenciatura. Em termos práticos, o salário mediano dos jovens mestres fixou-se nos 1.779 euros.
Este diferencial é ainda mais relevante se olharmos para a evolução histórica. Em 2010, a diferença salarial entre estes dois graus académicos era muito menos acentuada. Em 13 anos, este diferencial aumentou 21 pontos percentuais, provando que o mercado de trabalho está a valorizar cada vez mais a especialização.

Mais mestres, mas também melhores salários
Poder-se-ia pensar que, com o aumento do número de pessoas com mestrado, o valor deste grau académico pudesse baixar por haver mais oferta. No entanto, aconteceu o oposto.
Em 2010, apenas 1,2% dos jovens trabalhadores tinham o grau de mestre. Em 2023, esse número subiu para 7,3% (mais de 62 mil jovens). Mesmo com este aumento expressivo de profissionais qualificados, as empresas continuam disponíveis para pagar mais por quem detém competências avançadas e especializadas.
O ganho acontece em quase todas as áreas (mas não de forma igual)
Se tens dúvidas se a tua área específica beneficia desta valorização, os dados são animadores: o ganho salarial verifica-se em 94% das profissões qualificadas analisadas (aquelas onde o ensino superior é, por norma, um pré-requisito).
Contudo, há uma nota importante: esta diferença não é homogénea. O “bónus” salarial do mestrado tende a ser mais elevado e a concentrar-se nas áreas de formação que já apresentam, por si só, níveis salariais mais altos (como as áreas de Tecnologias, Engenharia ou Gestão).

Conclusão: Devo investir no Mestrado?
Embora o custo das propinas e os dois anos adicionais de estudo sejam um fator de peso, os dados do Brighter Future sugerem que o mestrado continua a ser uma das melhores formas de garantir uma entrada mais robusta no mercado de trabalho.
Além do conhecimento técnico, o mestrado parece funcionar como um selo de diferenciação que protege os jovens trabalhadores, permitindo-lhes aceder a patamares salariais que, apenas com a licenciatura, parecem estar a tornar-se mais difíceis de alcançar.
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