Um novo estudo da EDULOG, o “think tank” de Educação da Fundação Belmiro de Azevedo, analisa a evolução do Ensino Superior em Portugal. Embora o sistema tenha evoluído positivamente, a desigualdade social, a distância geográfica e os custos associados continuam a condicionar o percurso dos alunos.
A democratização do Ensino Superior em Portugal é um facto, mas o “elevador social” ainda encontra obstáculos significativos. Esta é uma das principais conclusões do mais recente estudo da EDULOG, que traça um retrato detalhado sobre quem acede à universidade ou ao politécnico, de onde vêm estes alunos e quais as dificuldades que enfrentam.
O “fator casa”: Onde vives dita onde estudas
De acordo com o estudo, o local de residência continua a ser um dos fatores mais determinantes no acesso ao ensino superior. Existe uma correlação direta entre a proximidade geográfica das instituições e as taxas de frequência.
A investigação aponta que a distância e os custos de deslocação e alojamento funcionam como barreiras invisíveis. Para muitos estudantes de contextos socioeconómicos mais vulneráveis, a escolha do curso é frequentemente limitada pela oferta local, uma vez que as famílias não conseguem suportar os custos de manter um estudante deslocado num grande centro urbano.
Alunos do Profissional preferem Politécnicos
Um dos dados em destaque refere-se ao percurso dos alunos provenientes do ensino profissional. Segundo a EDULOG, os estudantes que concluem cursos profissionais e decidem prosseguir estudos demonstram uma preferência clara pelo ensino politécnico.
Esta escolha é justificada pela natureza mais prática e aplicada dos institutos politécnicos, que parece estar mais alinhada com a formação de base destes alunos. No entanto, o estudo também nota que este grupo enfrenta desafios específicos na transição, necessitando muitas vezes de apoios adicionais para garantir o sucesso académico em disciplinas mais teórica
Barreiras Sociais: O sistema evoluiu, mas a desigualdade persiste
Apesar da evolução positiva do sistema educativo português nas últimas décadas, as desigualdades sociais ainda se refletem nos resultados. O estudo sublinha que:
- Custos indiretos: Além das propinas, o alojamento é atualmente o maior entrave financeiro para os estudantes.
- Distribuição Regional: Existe ainda uma assimetria na distribuição de vagas e de recursos, o que acaba por favorecer os alunos das áreas metropolitanas em detrimento do interior.
- Sucesso Académico: O contexto familiar e o nível de escolaridade dos pais continuam a ter um peso importante na probabilidade de um aluno concluir o curso com sucesso.
Conclusão
O estudo da EDULOG deixa um alerta aos decisores políticos: para que o Ensino Superior seja verdadeiramente inclusivo, não basta abrir vagas; é necessário reforçar os mecanismos de apoio social, investir em alojamento estudantil acessível e garantir que a oferta formativa no interior seja atrativa e capaz de reter talento.
Para os estudantes, a mensagem é de resiliência, mas também de consciencialização sobre a importância de escolher percursos que, embora adaptados à realidade financeira, permitam a conclusão dos estudos com qualidade.

